Este Blog destina-se à divulgação de trabalhos, notícias e outros textos relativos à toponímia das artérias de diversas localidades, nomeadamente de Loulé e da restante região do Algarve. Pretende-se assim, através da toponímia, percorrer a memória das ruas, largos, avenidas, ingressando na história e património das urbes.


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Alcoutim honrou personalidades republicanas – Nova toponímia na vila

Em honra de todas as personalidades republicanas “que enchem de orgulho Alcoutim”, foram descerradas placas toponímicas na vila, que perpetuam três nomes alcoutenejos ligados à República:

- José Centeno Passos, o primeiro presidente da Câmara Municipal de Alcoutim e Administrador do Concelho no período republicano;
- Francisco Madeira do Rosário, ilustre comerciante, autarca e republicano;
- Maria Eduarda de Freitas, republicana alcouteneja, que se destacou como enfermeira militar e escritora.

Este foi um dos momentos altos das comemorações do centenário da República no nordeste algarvio, que decorreram no transacto dia 5 de Outubro de 2010.

Fonte: “Jornal do Baixo Guadiana”, n.º 126, de Novembro de 2010

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Rua Dr. João Dias – Alcoutim

Artéria com origem medieval, constituiu durante séculos, conjuntamente com as actuais ruas das Portas de Mértola e da Misericórdia, um eixo fundamental da vila de Alcoutim. Estabelecendo a ligação entre uma entrada da urbe (a Porta de Tavira) e o largo central (a Praça Pública), obteve a designação popular de Rua Direita.

A referida via, em reunião da Câmara Municipal de 28 de Dezembro de 1882, por proposta do presidente Manuel António Torres, passou a ter a designação oficial de Rua D. Luís I, em consagração ao monarca português que reinava à época.

Contudo, com o advento da República em Portugal, treze dias após a proclamação do novo regime foi proposto, pelo vogal Basílio José Ambrósio da Silva, que a mesma rua passasse a denominar-se por Rua Miguel Bombarda. Alcoutim passou então a prestar homenagem ao destacado médico republicano (1851 – 1910), assassinado nas vésperas da implantação da República, de cuja revolução era o chefe civil.

Mais tarde, a 21 de Junho de 1950, durante a presidência do professor José Maria Amaral, de forma a distinguir o ilustre clínico e benemérito Dr. João Francisco Dias (1898-1955), foi atribuído o seu nome à então Rua Miguel Bombarda topónimo que perdura até aos nossos dias.



João Francisco Dias

Nasceu em Corte Velha, freguesia de Odeleite (Castro Marim), a 22 de Novembro de 1898. Licenciou-se em medicina na Universidade de Coimbra, em 1927, fixando-se algum tempo depois na vila de Alcoutim. A 30 de Junho de 1932 foi nomeado médico municipal interino do concelho de Alcoutim e dois anos mais tarde tomou posse definitiva do mesmo cargo, sendo nomeado em reunião de Câmara de 27 de Setembro de 1934.

Como médico cirurgião a reputação do Dr. João Dias difundiu-se rapidamente e o seu nome passou a ser conhecido por todo o Algarve, Baixo Alentejo e Andaluzia, deslocando-se a Alcoutim gente de terras longínquas, em busca de cura para as suas enfermidades.

Exerceu o cargo de provedor da Santa Casa da Misericórdia, tendo fundado o Hospital, fazendo sozinho o trabalho de uma equipa médica.

Para além das aptidões profissionais, possuía igualmente um elevado carácter humanista, sendo de sobremaneira altruísta e generoso. Tratava os pobres sem lhes cobrar nada e por vezes comprava-lhes os medicamentos.

Em 1942 os alcoutenejos homenagearam-no, colocando uma lápide na fachada do Hospital, em sinal de gratidão.

Faleceu a 8 de Março de 1955 e a 10 de Março de 1957 foi inaugurado um busto que perpetuou a sua memória.


Sem dúvida a personalidade que maior destaque deu a Alcoutim durante o século XX.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

30 topónimos atribuídos em Faro

Foi aprovado, em reunião da Câmara realizada no passado dia 3 de Novembro de 2010, a atribuição de mais 30 topónimos, medida que se destina a organizar, ordenar e identificar de forma precisa o espaço social e urbanístico do Concelho de Faro. O Município está a regularizar as situações das artérias sem topónimo atribuído e a designar atempadamente os novos arruamentos que estão prestes a surgir, de molde a corrigir a desorganização que se fazia sentir e prejudicava milhares de cidadãos.

A toponímia assume um papel fundamental enquanto elemento de identificação, orientação, comunicação e localização de imóveis. Reveste ainda grande importância, na medida em que os nomes atribuídos aos espaços públicos registam épocas, personalidades de relevo, costumes e acontecimentos que marcaram a história do concelho em determinado momento. Não é matéria de somenos importância.

Mas, para operacionalizar o procedimento de atribuição e garantir que as decisões têm fundamentação técnica avalizada, foi constituída a Comissão Municipal de Toponímia, onde figuram o Presidente da Câmara, o Presidente da Junta de Freguesia da respectiva área, o Director do Departamento de Urbanismo, o Director do Departamento de Cultura e Património, um representante da Assembleia Municipal, um especialista de história local, um especialista em Património Cultural, um técnico da Divisão de Sistemas de Informação Geográfica e um técnico da Divisão de Ambiente, Mobilidade e Trânsito. Esta Comissão reuniu a 26 de Outubro e sugeriu ao executivo a adopção dos topónimos que agora foram aprovados, a saber:

- Rua Corina Freire;
- Rua Guiné Bissau;
- Praceta Sebastião Carvalho;
- Travessa Vera Garb;
- Rua Fortes Rodrigues;
- Rua Abreu Marques;
- Rua José Rosário Silva;
- Praça da Alfarrobeira;
- Rua Dr. António Bernardo;
- Rua Madre Teresa de Calcutá;
- Rua António Carrusca Rodrigues;
- Rua J. J. da Costa Macedo;
- Rua Pe. José Gomes Encarnação;
- Rua Bernardino Bonixe;
- Rua António de Ascensão;
- Rua Manuel Guerreiro Beatriz;
- Rua João Bernardo de Sousa;
- Rua Fernando Álvaro Secco;
- Travessa Esquível;
- Travessa do Mau Foro;
- Rua da Torre;
- Rua das Palmeiras;
- Rua José Palermo de Faria Jr.
- Rua da Antiga Escola;
- Rua da Sambada;
- Rua da Arjona;
- Rua de Santa Bárbara de Nexe;
- Rua Laurinda Vargues;
- Praceta DAPHINA
- Rua João Baleizão

Fonte: www.cm-faro.pt

Avenida Ayrton Senna – Quinta do Lago (Almancil)

O nome de Ayrton Senna da Silva, conceituado piloto automobilístico e tricampeão do Mundo de Formula 1, foi perpetuado na toponímia do concelho de Loulé, concretamente no empreendimento turístico Quinta do Lago, no mês seguinte ao seu prematuro falecimento, ocorrido a 1 de Maio de 1994.

Ayrton Senna era proprietário de uma moradia naquele resort, onde frequentemente se deslocava, passando longas temporadas. Por esta razão a Administração da Planal S.A., empresa proprietária e gestora do espaço, solicitou à Câmara Municipal de Loulé, a 31 de Maio de 1994, para que a Avenida do Lago se passasse a designar por Avenida Ayrton Senna. Na sequência desta petição, foi o assunto discutido e aprovado por unanimidade em reunião de Câmara de 14 de Junho de 1994.


Ayrton Senna da Silva
Natural do Brasil, nasceu em São Paulo em 1960 e faleceu em São Marino, durante uma prova, em 1994.

Ayrton Senna iniciou-se nas provas de kart aos 13 anos e em 1981 começou a competir na Europa, ganhando o campeonato inglês de Fórmula Ford 1600. Em 1982 foi campeão europeu e britânico de Fórmula Ford 2000 e no ano seguinte foi campeão de Fórmula 3 britânica, estreando-se na Fórmula 1 em 1984, onde demonstrou um talento extraordinário, obtendo excelentes resultados. A sua primeira vitória ocorreu nesse ano no Grande Prémio de Portugal. Foi três vezes campeão mundial da modalidade, nos anos de 1988, 1990 e 1991 e vice-campeão em 1989 e 1993.

Usou parte de sua fortuna para criar o Instituto Ayrton Senna, destinado a apoiar jovens pobres do Brasil e no mundo.

Senna detinha grande preocupação com o potencial perigo dos desportos motorizados e sempre lutou junto dos organizadores e pilotos para melhorar a segurança nas pistas.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Ruas de Albufeira Recebem Nome

O concelho de Albufeira viu algumas das suas artérias, até aqui não identificadas, receberem novas denominações. No decorrer de 2010, a Autarquia atribuiu já um total de 29 topónimos, distribuídos pelas freguesias de Albufeira (17), Ferreiras (5), Guia (5) e Olhos de Água (2). O Município irá proceder brevemente à colocação de um grande número de placas toponímicas.
Refira-se que, em colaboração com os CTT, a Autarquia promoveu também a atribuição de Códigos Postais (CP7) a diversas artérias do concelho.

Novos Topónimos
Em Albufeira:
Beco dos Mares, Praça dos Pescadores, Rua dos Mares, Beco da Aldeia, Beco da Torrinha, Praceta da Torrinha, Rua da Torrinha, Rua das Amendoeiras, Beco do Alentejo, Rua do Poço da Areia, Beco do Forte de São João, Praceta do Forte de São João, Beco do Alto da Orada, Beco do Vale da Orada, Praceta do Vale da Orada, Rua do Vale da Orada e Travessa do Alto da Orada.

Em Ferreiras:
Rua do Alto do Alpouvar, Travessa dos Caçadores, Beco do Monte Velho, Rua do Monte Velho e Beco dos Canteiros.

Em Guia:
Caminho da Parra, Travessa da Parra, Rua do Girassol, Caminho das Areias e Rua José Cabrita Santos.

Em Olhos de Água:
Beco de Vale Carro e Beco dos Limoeiros.

“Revista Albufeira”, n.º 82, Setembro de 2010

sábado, 18 de setembro de 2010

Em Faro – Dezenas de ruas da cidade ganham nomes

Nos últimos meses, a Comissão Municipal de Toponímia de Faro já atribuiu nomes a cerca de 80 arruamentos, cuja situação se encontrava por regularizar.

Segundo a autarquia, era frequente a adopção do “nome do promotor imobiliário ou nome comercial pelo qual era promovido o loteamento para identificar as ruas”, procedimento que, “além de não ser legal, faz com que deixasse de existir uma autoridade toponímica e começaram a surgir ruas sem nomes ou com nomes e números de lotes repetidos, entre outras situações”. Isso gerou “inconvenientes para os moradores”, como o extravio de cartas.

O actual executivo, presidido por Macário Correia, salienta que não vai “permitir a subsistência da desordem”.

Jornal “Correio da Manhã”, de 14/09/2010

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Av. 5 de Outubro – Faro

A actual Avenida 5 de Outubro, em Faro, foi edificada no final do século XIX, constituindo um importante eixo de desenvolvimento da cidade, em direcção à Capela de Santo António do Alto.

Até à actualidade já ostentou, pelo menos, três denominações diferentes, nomeadamente, Av. Mouzinho de Albuquerque, Av. Hintze Ribeiro e Av. 5 de Outubro.

Quando Mouzinho de Albuquerque (1855 – 1902), um importante militar português, derrotou as tropas do líder moçambicano Gungunhana, em Chaimite, a 28 de Dezembro de 1895, a Câmara Municipal de Faro emitiu um voto de louvor pelo feito alcançado, na sua reunião de 7 de Janeiro de 1896: “Constituída a Câmara e tendo o Snr. Presidente [João José da Silva Ferreira Netto] dito que em breve devia chegar a Faro uma parte da expedição d’África que tão gloriosamente havia conseguido derrotar o poderoso régulo Gungunhana e que esta Câmara devia aguardar a passagem dos expedicionários para demonstrar pelos meios que julgasse convenientes a sua gratidão por tão heróicos feitos d’armas, assim deliberou a Câmara; mais deliberou que se consignasse n’esta acta um voto de louvor aos referidos africanistas e que se telegraphasse ao Governo de Sua Majestade congratulando-se com elle e com o pays pelo feliz resultado das nossas armas e pedir-lhe o regresso aos dois regimentos do Algarve dos expedicionários que chegam brevemente a Lisboa.” Quase três meses depois foi feita nova referência ao acontecimento histórico, na sessão de Câmara de 26 de Março de 1896, prestando-se homenagem a Mouzinho de Albuquerque, o líder militar que o protagonizou, tendo sido atribuído o seu nome à nova avenida que se encontrava em construção: “Em seguida o Snr. Presidente tomando a palavra disse que sendo a expedição d’África composta por um terço de soldados do Algarve, não se recusando nunca esta província na guerra ou na paz, a contribuir para quanto possa enaltecer a nossa querida pátria, em presença de um acto d’heroísmo de tal magnitude como o que prestou o ilustre Capitão hoje major Mousinho d’Albuquerque que prendendo em Chaimite o poderoso régulo Gungunhana em presença de mais de 3.000 vátuas, devendo um acto de tal bravura constar no maior número possível documentos escriptos d’esta epocha, marcada na história pátria por um feito tão brilhante que offusca quantos actos de bravura se teem praticado (…), não podia a nobre cidade de Faro, que nos honramos de representar, ficar silenciosa nem deixar d’inscrever por qualquer forma perdurável o nome a quem está indelevelmente ligada esta pagina d’ouro da história de Portugal, por isso propunha elle Snr. Presidente que se desse o nome de Mousinho d’Albuquerque à nova avenida de quarenta metros que começando na Rua de Santo António se dirige à Capella do mesmo nome a ½ kilometro d’esta cidade. O que sendo posto à votação foi approvado por aclamação unânime de todos os Snrs. Vereadores presentes.”

No final do século XIX ou início do século XX o nome do militar africanista foi eliminado da toponímia farense, sendo substituído pelo do político Hintze Ribeiro (1849 – 1907), que liderou o governo de 1893 a 1897, de 1900 a 1904 e em 1906.

Com a implantação da república, nova alteração na denominação da avenida farense, passando, por proposta do vogal António Martins Paula, no dia 20 de Outubro de 1910, a designar-se por Avenida 5 de Outubro, rememorando a data da revolução republicana.