Este Blog destina-se à divulgação de trabalhos, notícias e outros textos relativos à toponímia das artérias de diversas localidades, nomeadamente de Loulé e da restante região do Algarve. Pretende-se assim, através da toponímia, percorrer a memória das ruas, largos, avenidas, ingressando na história e património das urbes.


quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Homenagens a Tomás Cabreira

Em 2010, ano em que se assinalou o Centenário da Implantação da República em Portugal, ocorreu a divulgação e publicação de uma panóplia de estudos e teses, evocando e até exaltando o espírito republicano. Como não podia deixar de acontecer, houve igualmente lugar a destaque para várias figuras do regime, entre as quais Tomás Cabreira, digníssimo republicano algarvio.

Tomás António da Guarda Cabreira nasceu em Tavira a 23 de Janeiro de 1865. Estudou na Escola do Exército e na Escola Politécnica, concluindo os cursos de infantaria e de engenharia civil e doutorando-se posteriormente na Faculdade de Ciências, no ano 1916. Republicano convicto, foi militar, professor, deputado à Assembleia Nacional Constituinte (1911), senador e ministro das Finanças. Fundou em 1907 a Universidade Popular de Lisboa.
Faleceu em Tavira a 4 de Dezembro de 1918, no largo que actualmente ostenta o seu nome. Erradamente, em muitos dos textos publicados sobre a vida e obra deste insigne algarvio surge mencionado que o óbito ocorreu na Praia da Rocha (Portimão), quando na verdade foi na sua terra natal, conforme prova o seu Registo de Óbito.
Após a sua morte, várias homenagens lhe foram prestadas. O nome de Tomás Cabreira passou a pertencer à toponímia de três localidades (Tavira, Portimão e Lisboa) e a figurar como patrono de uma escola (Faro), conforme abaixo explanado, todas elas actualmente ainda existentes:

Largo Tomás Cabreira – Tavira

No dia 11/12/1918, uma semana após a sua morte, a Câmara Municipal de Tavira, reunida em sessão, deliberou “exarar um voto de profundo sentimento pela morte do eminente filho desta terra, cidadão Tomaz Cabreira, ilustre homem de sciencia, dando-se pesamez a seu irmão António Cabreira.”
No dia 30 do mesmo mês foi recepcionado na autarquia tavirense um “ofício da Academia de Sciencias de Portugal propondo que, no intuito de se prepetuar a memoria do eminente filho de Tavira, Tomaz Cabreira, se dê ao Largo Trinta e Um de Janeiro o nome deste cidadão, o que, em atenção àquela data, não representará desprestígio algum para as instituições, pois que, falecendo ele numa casa sita no mesmo largo, é de uso consagrar à memoria dos homens ilustres os locaes em que se verificou o seu falecimento, devendo considerar-se que, se a referida data consagra a primeira tentativa da implantação da República, pela mesma República Tomaz Cabreira lutou com fé, dedicando-lhe todo o seu esforço e alto e luminoso espírito.”
Em vista da proposta sugerida pela Academia de Sciencias de Portugal [foi resolvido na mesma sessão] dar ao largo Trinta e Um de Janeiro o nome de «Largo Tomaz Cabreira», visto que foi num prédio situado naquele largo que faleceu este eminente tavirense.”
No seguimento da referida decisão, o irmão do homenageado, António Cabreira, agradeceu, uma semana mais tarde, “(…) a homenagem que a Câmara prestou à memória de seu falecido irmão Tomaz Cabreira, dando ao largo Trinta e Um de Janeiro o seu nome.”

Av. Tomás Cabreira – Portimão

O executivo da Câmara Municipal de Portimão, também prestou tributo a Tomás Cabreira através da toponímia, perpetuando o seu nome na artéria principal da Praia da Rocha. Recorde-se que foi naquela Praia que em 1915 se organizou o Congresso Regional Algarvio, de que Tomás Cabreira foi um dos principais organizadores, tendo contribuído de sobremaneira para a divulgação das potencialidades turísticas daquele local e do Algarve.
Assim, em sessão de 17/07/1919 foi aprovado “o alvitre do Vogal Exmo. Sr. Álvaro da Trindade Pina, para que em homenagem à ilustre família Thomaz Cabreira se dê a denominação de Avenida Thomaz Cabreira, à actual avenida da Rocha, […] na Praia da Rocha […], de cuja resolução se dará conhecimento ao Instituto Thomaz Cabreira.”

Rua Tomás Cabreira – Lisboa

Alguns anos mais tarde foi a vez da capital do país reconhecer o mérito deste “engenheiro distinto e republicano indefectível”. Em sessão da Comissão Executiva da Câmara Municipal de Lisboa, realizada a 21/06/1926, foi deliberado dar à Rua B do Bairro da Bélgica a denominação de Rua Tomás Cabreira.
Curiosamente esta homenagem foi efectivada já durante o período da Ditadura Militar, após o dia 28/05/1926.

Escola Secundária Tomás Cabreira – Faro
Ainda durante o período da I República e como forma de reconhecimento do mérito político, pedagógico e militar do homem que foi Tomás Cabreira, o Conselho Escolar da Escola Comercial de Faro solicitou que este fosse designado seu patrono.
Assim foi determinado pelo Governo republicano, através da publicação da Portaria n.º 2576 de 17/01/1921, como justa homenagem à sua vida e obra. Com as alterações imprimidas ao longo dos anos nas tipologias de ensino a na mesma linha de coerência, por Portaria n.º 608/79, de 22 de Novembro (D.R., I série, nº 270, de 22/11/79), a Escola Industrial e Comercial de Faro passou a designar-se por Escola Secundária Tomás Cabreira.

Lagoa assinalou 238 anos do concelho com novos topónimos

Lagoa assinalou, no transacto dia 16 de Janeiro, os 238 anos da criação do concelho, por alvará régio de D. José I. De entre as várias iniciativas preparadas pela Câmara Municipal e Junta de Freguesia, destacou-se a atribuição de nomes de dois ilustres lagoenses a ruas da cidade.

Os festejos começaram às 11h00, com a atribuição dos nomes de João Fernandes e de Carlos Boto, ambos já falecidos, a ruas do Bairro da CHE Lagoense, na cidade de Lagoa.

João Fernandes foi figura de destaque nas instituições de solidariedade social do concelho, e ainda na Adega Cooperativa de Lagoa. Quanto a Carlos Boto, foi membro do PCP, ocupou os cargos de vereador na Câmara Municipal de Lagoa e de membro da Comissão Executiva da Região de Turismo do Algarve.

Fontes:

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Sport Faro e Benfica com direito a topónimo

O Sport Faro e Benfica, instituição desportiva quase centenária, passará a figurar no rol de topónimos de Faro, tendo sido o mesmo aprovado em reunião da Câmara Municipal de 24 de Fevereiro de 2010. É uma justa e simbólica homenagem que terá lugar no próximo sábado, dia 8 de Janeiro, pelas 11h, num dos arruamentos situados na Horta do Ferragial.

Esta agremiação, 1.ª filial do Sport Lisboa e Benfica, tem desempenhado uma importante missão de serviço público, formando milhares de jovens e promovendo diversas modalidades ao longo do seu rico e prestigiante historial.

Fonte:

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Rua António Machado Pinto Pontes – Salir

Uma das primeiras artérias da vila de Salir, concelho de Loulé, a ostentar denominação oficial, isto é, a ser aprovada pelas entidades competentes, foi a Rua António Machado Pinto Pontes.

A 21 de Maio de 1968 a Junta de Freguesia de Salir, presidida por José Viegas Gregório, remeteu à Câmara Municipal de Loulé um ofício, solicitando a aprovação da denominação da Rua António Machado Pinto Pontes. Seis dias depois o assunto foi apresentado na reunião da Câmara Municipal, tendo sido aprovado, conforme pretensão da Junta de Freguesia.

O novo topónimo foi inaugurado numa cerimónia, incluída na Festa da Espiga desse ano, à qual assistiram os irmãos do homenageado, Capitão José M. Pinto Pontes e Eduardo Pinto Pontes, bem como o governador civil, Joaquim Romão Duarte, e o presidente da Câmara Municipal,Eduardo Delgado Pinto.

António Machado Pinto Pontes

Com o pseudónimo de “Pinto de Castelar”, António Machado Pinto Pontes destacou-se como jornalista, tendo divulgado o nome da sua freguesia natal através dos inúmeros artigos que escreveu, tanto em jornais como em revistas.

Em muitos dos seus trabalhos jornalísticos expôs as aspirações e carências da freguesia, sendo muitas delas concretizadas posteriormente, como por exemplo a construção do cemitério de Salir.

Para além de jornalista possuía igualmente o mister de “curandeiro”, difundido a sua reputação por toda a freguesia, recorrendo a ele inúmeras pessoas em busca de alívio para as suas enfermidades. Detinha ainda um elevado carácter humanista, tratando os pobres sem lhes cobrar nada e oferecendo-lhes, por vezes, os medicamentos.

Natural de Salir, António Pinto Pontes nasceu em 1903 e viveu toda a sua vida na artéria que ostenta o seu nome, vindo a falecer em 1948.

Av. Manuel Teixeira Gomes – Alte

No transacto dia 11 de Dezembro Portimão assinalou o Dia da Cidade e com ele o término das Comemorações Nacionais dos 150 anos do Nascimento de Manuel Teixeira Gomes, a cuja cerimónia de encerramento presidiu, naquela cidade, o presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.

Durante o ano 2010 o país e principalmente Portimão homenagearam o antigo chefe de Estado, com a realização de diversas iniciativas, entre as quais exposições, colóquios, concertos, teatro, dança, cinema e publicações. Estas comemorações coincidiram igualmente com o centenário da implantação da República em Portugal, da qual Teixeira Gomes foi acérrimo defensor.

Comerciante, escritor, diplomata e político, Teixeira Gomes é considerado uma personalidade cimeira da história e da cultura portuguesas. Este facto justifica a difusão do seu nome na toponímia de várias localidades do país e principalmente do Algarve, como é exemplo uma artéria na típica aldeia de Alte, concelho de Loulé.

A iniciativa de atribuir o nome de Manuel Teixeira Gomes a uma via naquela aldeia partiu da Junta de Freguesia local, liderada por José Cavaco Vieira, tendo esta remetido um ofício à Câmara Municipal de Loulé, a 10 de Abril de 1972, solicitando que fosse conferida à estrada da Várzea a denominação de Avenida Dr. Manuel Teixeira Gomes. O assunto foi apresentado na reunião de Câmara do dia seguinte, tendo sido aprovado por unanimidade.

O topónimo foi inaugurado no dia 1 de Maio, durante as festas da Fonte Grande, tendo presidido à cerimónia o presidente da Câmara Municipal, António Américo Lopes Serra, em representação do governador civil. Na ocasião foi igualmente inaugurada a iluminação pública na mesma artéria.

Manuel Teixeira Gomes

Natural do Algarve, nasceu em Portimão a 27 de Maio de1860 e faleceu em Bougie (actual Bejaia), na Argélia, a 18 de Outubro de 1941. Em Coimbra frequentou o Seminário e depois a Faculdade de Medicina, tendo abandonado os estudos e vivido em Lisboa e Porto. Viajou muito, pois dedicou-se à comercialização de frutos secos além fronteiras.

Implantada a República foi embaixador de Portugal em Londres (1911 – 1918 e 1919 – 1923). Presidente da República, entre 06/08/1923 e 11/12/1925, resignou pela impossibilidade de reconciliar os partidos políticos.

Escreveu contos, novelas, romances, livros de viagens, memórias e uma peça de teatro. Escritor de apurado culto da forma verbal, teve por ideal o esteticismo neo-helénico mesclado de naturalismo ambiental, assumido por uma viva sensibilidade plástica. As suas obras principais são Inventário de Junho (1899), Agosto Azul (1904), Gente Singular (1909), Londres Maravilhosa (1924) e Novelas Eróticas (1935) entre outras.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Avenida Ville La Baule – Vila Real de Santo António

Os presidentes dos municípios de Vila Real de Santo António e de La Baule, Luís Gomes e Yves Métaireau, assinaram no dia 4 de Dezembro o protocolo de geminação entre as duas cidades. Aquela cidade francesa passa também a dar nome a uma avenida da cidade pombalina. Desde aquele dia, a antiga estrada da Ponta da Areia chama-se Avenida Ville La Baule (topónimo aprovado por deliberação da Câmara de 16 de Novembro de 2010).


Segundo os dois autarcas, esta geminação tem em vista a troca de experiências e a realização de acções conjuntas, no sentido de desenvolver as áreas do turismo e do turismo ligado ao desporto, dois pontos que ambos os municípios têm em comum. Recorde-se que La Baule é considerada a terceira estância balnear mais importante de França e a segunda cidade em termos desportivos, já que acolhe habitualmente inúmeras competições a nível mundial em modalidades como o hipismo, o triatlo ou a vela. A construção naval é outro dos motores da economia daquele município francês.

Fonte: Domingos Viegas in Jornal do Algarve, n.º 2802, de 09/12/2010

Rua Dr. José Joaquim Soares – Quarteira

 A 15 de Novembro de 1962, por proposta do presidente da Câmara Municipal de Loulé, José João Ascensão Pablos, foi aprovada por unanimidade a proposta de atribuição do nome do Dr. José Joaquim Soares a uma “(…) rua recentemente aberta entre as residências dos senhores engenheiros José Martins Farrajota e Anselmo Bruno Pinto, (…) transversal à Avenida Infante de Sagres (…)”, localizada em Quarteira. 

Catorze dias depois foi presente à reunião de Câmara “uma carta do senhor Fernando Moura Soares, de vinte do corrente, testemunhando o seu reconhecimento pela honrosa homenagem que a Câmara vai prestar à saudosa memória de seu pai, Doutor José Joaquim Soares, designando o seu nome para uma rua da povoação de Quarteira, a quem em vida dedicou o maior entusiasmo para o desenvolvimento da sua praia.”

José Joaquim Soares

Natural de S. Romão (S. Brás de Alportel), José Joaquim Soares nasceu a 9 de Maio de 1895 e faleceu no dia 28 de Janeiro de 1950, em Lisboa, onde residia.

Formado em Direito pela Universidade de Coimbra, advogou durante alguns anos no Montijo, tornando-se notário em Silves (1913 – 1919) e posteriormente em Loulé (1923 – 1948), tendo alcançado reputação em todo o Algarve.


Estabelecido em Loulé, nesta vila presidiu por duas vezes à respectiva Câmara Municipal (entre 03/07/1926 e 13/06/1928; entre 18/03/1932 e 09/10/1933) e foi presidente da comissão concelhia da União Nacional.

Desempenhou durante 23 anos as funções de presidente da Comissão Municipal de Turismo da Praia de Quarteira. O seu nome ficou assim ligado à realização de numerosos melhoramentos locais e principalmente ao desenvolvimento da praia de Quarteira.

Tendo-se aposentado nas suas funções de notário em Loulé (em 1948), fixou residência em Lisboa, mantendo todavia vínculo à região, continuando a presidir ao Grémio da Lavoura daquela vila. Era ainda sócio da Empresa de Viação do Algarve.