Este Blog destina-se à divulgação de trabalhos, notícias e outros textos relativos à toponímia das artérias de diversas localidades, nomeadamente de Loulé e da restante região do Algarve. Pretende-se assim, através da toponímia, percorrer a memória das ruas, largos, avenidas, ingressando na história e património das urbes.


quarta-feira, 25 de maio de 2011

Rua de Angola em Vila Real de Santo António

Em reunião ordinária do Município de Vila Real de Santo António, efectuada em 3 do corrente [Maio de 1961], e por proposta do vereador sr. dr. António Manuel Capa Horta Correia, deliberou a Câmara, por unanimidade, que a Rua do Progresso, uma das artérias que, com a execução do Plano de Urbanização desta vila, maior utilidade e projecção virá a ter no futuro, se passasse a denominar «Rua de Angola», como preito de homenagem aos heróicos defensores caídos em defesa daquela nossa Província, tão traiçoeiramente atacada, e como manifestação de fé nos seus destinos como terra portuguesa.

Fonte:
Artigo retirado do jornal “Notícias do Algarve”, n.º 400, de 07/05/1961.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Comemorar Abril

Para recordar o 37.º aniversário da revolução dos cravos, que se assinala hoje, divulgo dois textos retirados da imprensa, relativos à toponímia anterior e posterior a 1974. O primeiro foi publicado no jornal “Público”, a 24/04/2009 e descreve as artérias do país onde o nome de Salazar ainda sobrevive, tendo incluído uma foto da placa toponímia da antiga “Praça Dr. Oliveira Salazar” em Loulé. O segundo artigo foi extraído do “Jornal do Algarve”, de 10/02/1978 e relata algumas alterações toponímicas ocorridas na cidade de Tavira na sequência do golpe militar de 25 de Abril.


Salazar "sobrevive" na toponímia nacional em 20 localidades portuguesas

O nome do antigo presidente do Conselho de Ministros do Estado Novo, Oliveira Salazar, sobrevive pelo País na toponímia de cerca de 20 localidades, maioritariamente no Norte e Centro, mas fora das capitais de distrito.

O distrito de Viseu, de onde o antigo ditador era natural, recolhe a maioria das designações, em três avenidas de Santa Comba Dão - concelho onde nasceu, na localidade de Vimieiro - Armamar e Carregal do Sal. Em Viseu assinala-se ainda uma rua Dr. Oliveira Salazar, na aldeia de Castaínço, Penedono.

No interior do país subsiste, igualmente, nos lugares de Cafede (Castelo Branco) ou Cadafaz (Góis), mantendo-se aqui junto à rua Combatentes do Ultramar.

Se a seguir à revolução de 1974 o nome de Salazar foi "banido" de inúmeros espaços e equipamentos nacionais - da actual Ponte 25 de Abril, a avenidas de Leiria e da Figueira da Foz, ou de uma praça em Coruche, hoje da Liberdade, ao Largo São Francisco, em Loulé, entre diversos outros exemplos - há pelo menos uma aldeia, em Santarém, onde subsiste, lado a lado com um dos militares de Abril.

Em Atalaia, a 20 quilómetros a noroeste da capital de distrito, a rua Oliveira Salazar entronca com a Capitão Salgueiro Maia, o comandante da coluna militar que ocupou o Terreiro do Paço e levou à rendição de Marcelo Caetano no quartel do Carmo.

Das poucas referências ao antigo ditador existentes no Sul do país, há uma que se destaca, por se situar em pleno Alentejo: em Santa Clara-a-Velha, concelho de Odemira, Oliveira Salazar é nome de praça, de onde parte a rua Marechal Carmona, outra das figuras do Estado Novo.

A referência toponímica ao antigo ditador subsiste, também, no litoral: em Monte Real, Leiria, junto às termas e a caminho da base aérea, a rua Dr. Oliveira Salazar é uma das artérias principais da povoação.

Em Olival, Vila Nova de Gaia, existe a única "alameda" com o nome de Oliveira Salazar, em local de pouca passagem e relativamente desconhecido; já Santo Tirso (Porto) e Murtosa (Aveiro) possuem as únicas ruas "do" antigo presidente do Conselho de Ministros.

O roteiro continua em Ansião ou Santa Cita (Tomar), uma das mais extensas e onde Salazar tem a "companhia" adjacente da rua da Legião Portuguesa, organização paramilitar criada, em 1936, com o Estado Novo e extinta em 1974.

Há, no entanto, pelo menos uma referência a Salazar na toponímia nacional que nada tem a ver com o antigo ditador: em plena serra do Caramulo, na pequena aldeia de Caselho de São João, a meio caminho entre Águeda e Tondela, a placa num casebre de pedra homenageia, isso sim, um antigo morador, iniciativa da população local.

Fonte: www.publico.pt, por Lusa


Espaço de Tavira – Toponímia Citadina

Em recente reunião camarária [21/09/1977], a comissão que da edilidade recebeu o encargo de actualizar a toponímia tavirense, apresentou algumas sugestões que mereceram aprovação do conselho municipal. Assim, a rua que era do eng. Leite Pinto volta à antiga designação de Rua da Galeria; a do poeta Correia de Oliveira volta a chamar-se Rua da Porta Nova e a que era de S. Gonçalo de Lagos volta a ser a Travessa das Cunhas. A rua que serve o Palácio da Justiça ficará sendo Rua do Dr. Silvestre Falcão; às traseiras do mesmo imóvel chamar-se-á Praceta Teixeira Gomes; a rua Pinto Barbosa passa a Rua do Dr. Augusto Carlos Palma; a do eng. Arantes Oliveira passa a Rua 25 de Abril e a zona que lhe fica paralela, designar-se-á de Praceta Eduardo Fonseca Guerreiro. Por sua vez, a sequência da Rua da Porta Nova, passa a chamar-se Rua de Álvaro de Campos (heterónimo de Frenando Pessoa), que este consagrado poeta «fez nascer» em Tavira.

De acordo com os novos tempos que se vivem, eliminam-se assim do quadro toponímico local, entre outros, os nomes de alguns políticos de nomeada no decurso do anterior regime, dando-se primazia a tavirenses, algarvios e outras figuras dignas dessa distinção.

Achámos curiosa, e com ela nos congratulamos, a lembrança da comissão ao dar «vida», em Tavira, a uma figura literária, de alta projecção nacional, que o seu criador, Fernando Pessoa, quis «nascida» nesta cidade. E por nos lembrarmos que outra figura literária, não de âmbito nacional, não inventada mas genuinamente de Tavira e do Algarve, nesta cidade fez e deixou obra imorredoira, votos sinceros fazemos por que o nome de Sebastião Baptista Leiria venha a ser considerado, a quando de novas sessões de trabalho da comissão local de toponímia.

J. S. Dias

Fonte: Jornal do Algarve”, n.º 1090, de 10/02/1978.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Rua Manuel Viegas Guerreiro – Querença

O Prof. Doutor Manuel Viegas Guerreiro, natural da freguesia de Querença (concelho de Loulé), onde nasceu a 1 de Novembro de 1912, foi homenageado na sua terra natal em 1979, através da atribuição do seu nome a uma artéria da aldeia.

Em reunião da Assembleia de Freguesia de Querença, ocorrida a 7 de Abril de 1979, foi aprovado por unanimidade que se promovesse uma homenagem ao Prof. Manuel Viegas Guerreiro, “que muito se tem distinguido no domínio das letras”. A cerimónia de tributo ocorreu no dia 4 de Agosto, tendo o homenageado descerrado a placa toponímica.

O jornal “A Voz de Loulé” noticiou o acontecimento: “O passado dia 4 de Agosto, foi cenário temporal da Festa do Povo de Querença. Motivo fundamental: a homenagem a um dos filhos ilustres de Querença: o Dr. Manuel Viegas Guerreiro. Enformando esta homenagem, foi elaborado todo um calendário de festividades que, representaram um cariz genuinamente popular […]. Importante, a inauguração do Parque Desportivo […]. Seguiu-se uma sardinhada ao ar livre, […] com as presenças do Presidente da Câmara de Loulé, Andrade de Sousa, do Governador Civil, Almeida Carrapato, e de outras personalidades […]. Ficámos verdadeiramente maravilhados com a «Exposição de Motivos Locais, de Usos e Costumes, Históricos e Artesanais» […]. Da homenagem ao Dr. Manuel Viegas Guerreiro, constou o descerramento de uma placa com o seu nome numa rua da freguesia, e uma exaltação do homenageado, proferida pelo Prof. Joaquim Magalhães. Finalmente, houve diversas manifestações culturais, que incluíram Danças, Cantares, Quadras, etc.”

A artéria que ficou denominada com o nome do professor era popularmente designada por Rua do Pé da Cruz, dando acesso à ermida homónima e foi durante duas décadas a única da aldeia de Querença que ostentou designação oficial. No ano de 1999 foram denominadas as demais ruas da localidade.

Manuel Viegas Guerreiro encontra-se igualmente rememorado em Oeiras e Lisboa, constando como patrono em ruas daquelas localidades.

Manuel Viegas Guerreiro
Natural de Querença, formou-se em 1936 em Filologia Clássica, na Faculdade de Letras de Lisboa. Começou por exercer a profissão de professor de liceu em 1939, tendo leccionado em Lamego, Lisboa, Faro, Sá da Bandeira (Angola) e Oeiras. Entretanto, foi igualmente bolseiro nomeado para auxiliar o Doutor Leite de Vasconcelos, na sua actividade literária.

De 1955 a 1970 obteve uma bolsa de investigação, a fim de ordenar e publicar os manuscritos de Leite de Vasconcelos, sobretudo da Etnografia Portuguesa. Doutorou-se em Etnologia na Universidade de Lisboa (1969) e em seguida ocupou o lugar de professor de Etnologia, ascendendo a professor catedrático, na Faculdade de Letras da mesma instituição de ensino. Foi também investigador do Centro de Estudos Geográficos a funcionar naquela Faculdade. Aposentado em Setembro de 1982, faleceu em Carnaxide em 1 de Maio de 1997.

Durante a sua vida de universitário foi encarregado de várias missões no país e no estrangeiro. A vasta actividade do Prof. Viegas Guerreiro incluiu inúmeras iniciativas, como, por exemplo, a criação dos Estudos Gerais Livres e do Centro de Tradições Populares Portuguesas, a organização de colóquios e a publicação de inúmeros trabalhos de investigação, principalmente nas áreas de etnografia e antropologia e da literatura popular.

As qualidades de homem e académico tornaram Viegas Guerreiro uma personalidade singular que muito marcou as pessoas que com ele conviveram.

domingo, 3 de abril de 2011

Toponímia de Carcavelos Homenageia António Feio

A freguesia de Carcavelos conta, desde o dia 22 de Janeiro de 2010, com a Rua António Feio, numa homenagem da Junta de Freguesia de Carcavelos ao actor recentemente desaparecido.

O descerramento da placa toponímica ocorreu no Bairro do Junqueiro (início e fim na Rua de Luanda), onde António Feio viveu e passou toda a sua juventude, e contou com a presença de familiares e amigos do actor.

Fonte:
www.cm-cascais.pt

Raul Pinto na Toponímia de Loulé

Figura marcante do século XX em Loulé, Raul Rafael Pinto (1904 -1983), um verdadeiro seguidor das políticas do Estado Novo, foi uma personalidade extremamente influente e de vastos conhecimentos, granjeando prestígio a nível local, regional e até nacional. Consta que foi o responsável pela vinda a Loulé do presidente do Conselho Oliveira Salazar, por ocasião da inauguração do Monumento a Duarte Pacheco (1953).

Exerceu os cargos de secretário da Administração do Concelho (1927) e de chefe da Secretaria da Câmara Municipal de Loulé (1928 – 1955), dirigindo dessa forma os serviços municipais. Foi membro da Legião Portuguesa e da União Nacional.

Após o golpe militar de 25 de Abril de 1974, durante a transição para o regime democrático, Raul Pinto foi discriminado e frequentemente apupado, devido às suas fortes convicções ligadas ao regime anterior e pelo poder que havia exercido durante esse período, enquanto líder dos destinos do concelho, sendo acusado de promover perseguições.

Sete anos após o seu falecimento, em Novembro de 1990, o jornal “A Voz de Loulé” lançou o alvitre para que se associasse o seu nome a uma rua da cidade, “pela sua grande dedicação aos problemas da terra natal e pelo muito que trabalhou para a valorizar e fazer progredir”.

Assim, devido à marca que imprimiu e ao papel relevante na liderança das funções que exerceu no concelho de Loulé, o Município louletano decidiu homenageá-lo, através da outorga do seu nome a uma via, aprovada em reunião de 12 de Março de 1991. Passados cerca de 3 anos, aquando da aposição das placas toponímicas, foi colocado o nome de outra personalidade (Gonçalo de Loulé) em seu lugar, tendo este louletano sido banido da toponímia. Desconheço as razões porque tal facto ocorreu, mas provavelmente devido a quezílias relacionadas com as convicções políticas despoletadas pelo nome do emblemático Raul Pinto.

No ano 2008 nova tentativa para inscrever o seu nome numa rua e nova polémica surgida. A 20 de Fevereiro de 2008 a Câmara Municipal de Loulé aprovou novamente a denominação de uma artéria com o nome deste louletano, localizada na Urbanização das Romeirinhas. Contudo, os ecos de protesto de alguns elementos da sociedade civil, que haviam convivido de perto com Raul Pinto, fizeram-se ouvir de imediato, tendo a edilidade resolvido, a 27 de Janeiro de 2010, substituir a denominação pela de outra notável louletana (Ermelinda Aboim).

De facto, se em vida Raul Pinto gerou “amores e ódios”, isto é, usufruía de muitos amigos mas também de inúmeros inimigos, próprio da época e da conjuntura em que a sociedade vivia, depois de falecido o seu nome continua a ser alvo de inflamada polémica e discussão, não sendo consensual que se preste homenagem a tão destacado louletano, principalmente através da toponímia local.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Subsídios para a toponímia de Salir

Conforme já referido num dos posts anteriores, uma das primeiras artérias da vila de Salir a ostentar oficialmente um topónimo (ao que julgo tratou-se mesmo da primeira) foi a Rua António Machado Pinto Pontes, em 1968.

No ano seguinte o presidente da Junta de Freguesia, José Viegas Gregório, verificando que a maioria das ruas da localidade não possuíam denominação, indicou à Câmara Municipal de Loulé quatro novas designações, nomeadamente:
a)    Rua D. Maria da Conceição Pinto Pontes;
b)    Rua D. Amélia Cândida Ramalho;
c)    Rua Dr. José Pereira da Rocha;
d)    Largo Dr. Oliveira Salazar.

A autarquia louletana, em reunião de 14/04/1969, analisou o assunto e “(…) deliberou comunicar  à Junta de Freguesia que, sem embargo para o respeito que a memória das duas senhoras professoras indicadas no ofício lhe merece, se afigura da maior conveniência que a sugestão de atribuir os seus nomes a duas ruas da povoação de Salir deverá ser apoiada em dados a fornecer sobre a personalidade das mesmas senhoras, a fim de habilitar a Câmara a fundamentar a deliberação a tomar.”

Na semana seguinte a Junta de Freguesia expediu um ofício a justificar a proposta, com o seguinte conteúdo: “(…) informo que esta Junta pretende homenagear as S.as D. Maria da Conceição Pinto Pontes e D. Amélia Cândida Ramalho dando o seu nome a duas ruas desta povoação pelo motivo daquelas senhoras terem sido das primeiras professoras primárias que prestaram serviço em Salir, respectivamente desde 1892 a 1927 de 1903 a 1950, tendo estas dedicado à sua profissão o maior esforço e boa vontade, trabalhando incansavelmente ultrapassando os seus horários para combater o analfabetismo que naquele tempo era quase total neste meio.
Assim achamos justo prestar-lhes esta merecida homenagem o que esperamos que V. Ex.ª concedem e autorizem.”

O assunto foi submetido novamente à reunião municipal, realizada a 21/04/1969, tendo sido decidido aprovar as designações propostas pela Junta de Freguesia de Salir.

Maria da Conceição Pinto Pontes, conforme acima mencionado, exerceu o mester de professora primária em Salir entre 1892 e 1927, desempenhando as suas funções com grande zelo. Possuindo elevadas qualidades morais, o seu nome foi atribuído à rua da antiga escola, onde sempre leccionou.


Amélia Cândida Ramalho foi professora primária em Salir, durante aproximadamente 50 anos, entre 1903 e 1950. Residia na artéria que ostenta o seu nome, anteriormente designada por Rua das Vendas Novas.


José Pereira da Rocha nasceu em Faro em 1908 e após concluir o curso de medicina, na Universidade de Coimbra, em 1932, fixou residência em Salir, passando a exercer aí a sua profissão. Foi nomeado médico municipal no ano seguinte, mantendo-se no cargo até 1967, ano do seu falecimento, desempenhando igualmente, durante algum tempo, as funções de sub-delegado de saúde do concelho de Loulé. Meritório médico e exemplar cidadão, granjeou geral simpatia e estima por parte dos salirenses. Habitou na rua que ostenta o seu nome, anteriormente designada por Rua Direita.

O nome do presidente do Conselho de Ministros, António de Oliveira Salazar, exonerado pouco tempo antes, foi atribuído ao Largo da Igreja. Oliveira Salazar (1889 – 1970) realizou o curso de economia, iniciando a carreira de docente na Universidade de Coimbra. Eleito deputado pelo Centro Católico (1921), entrou para o governo como ministro das Finanças em 1928. Dois anos depois tornou-se presidente do Conselho de Ministros, cargo que ocupou até 1968, instaurando o regime corporativo, de inspiração cristã e um sistema de partido único (a União Nacional), que redundou numa Ditadura, o chamado Estado Novo.

Rua D.ª Antónia Provisório – Benafim

Decorreu a 23 de Outubro de 2010, dia da festa anual em honra de Nossa Senhora da Glória, padroeira de Benafim, a inauguração de um espaço público naquela localidade, denominado “Pátio Dona Antónia”. Esta nova zona de lazer e convívio, que recriou os antigos pátios algarvios, pretendeu distinguir a benemérita figura de Antónia do Carmo Provisório.


Na ocasião, o presidente da autarquia louletana, Seruca Emídio, relembrou a homenageada “pelo seu testemunho físico e emotivo que deixou na população do concelho de Loulé, pela sua sensibilidade para com o mundo rural, para com o país agrícola, numa tentativa permanente de uma dinâmica de desenvolvimento harmonioso do interior do Concelho, mas também pelo seu testemunho pelo bem que fez, com a ajuda aos mais necessitados, com a possibilidade que teve de proporcionar a concretização de sonhos das populações.”

Contudo, já dezasseis anos antes, Antónia Provisório havia sido homenageada naquela freguesia, tendo na época sido descerrada uma placa toponímica com o seu nome.

A proposta de atribuição do topónimo partiu da Assembleia de Freguesia de Benafim, que o aprovou em reunião realizada a 17/04/1991. A mesma foi remetida à Câmara Municipal de Loulé, tendo sido ratificação pelo respectivo presidente a 21/09/1994. A inauguração da toponímia da artéria ocorreu a 23 de Outubro de 1994.

Refira-se que a aprovação oficial da denominação da Rua Antónia Provisório, em reunião da Câmara Municipal de Loulé, apenas ocorreu a 20/05/2009.

Antónia do Carmo Provisório da Silva Campos
Nascida em 1907 na freguesia de Alvor (Portimão), Antónia Provisório foi residir para a Quinta do Freixo (a maior exploração agrícola do Algarve), nas imediações de Benafim, que tinha sido adquirida por seu pai na década de 1920, com pouco mais de vinte anos. Dirigiu esta exploração durante várias décadas e até ao seu falecimento, ocorrido em 2006.

Dona Antónia protagonizou sempre acções de defesa do mundo rural, pugnando pelo fomento sustentável do interior da região.

Toda a sua vida foi igualmente pautada por acções humanistas, proporcionado emprego e meios de subsistência a inúmeras famílias, auxiliando os mais carenciados e protegendo crianças órfãs.

Desempenhou um papel decisivo na criação da freguesia de Benafim (ocorrida em 1988), tornando realidade a execução de diversas infra-estruturas fundamentais para a concretização de tal aspiração, contribuindo de sobremaneira para o desenvolvimento deste território.

Preocupou-se igualmente com a expansão urbana da sede do concelho, alienando, nos anos de 1940, ao Município de Loulé, vários terrenos da Quinta do Pombal, onde foram edificadas a Casa da Primeira e Infância, as Piscinas Municipais e o Parque Municipal.

Em 2007, um ano após o seu falecimento, aos 99 anos de idade, foi homenageada com a Medalha de Mérito Municipal da Câmara Municipal de Loulé.