Este Blog destina-se à divulgação de trabalhos, notícias e outros textos relativos à toponímia das artérias de diversas localidades, nomeadamente de Loulé e da restante região do Algarve. Pretende-se assim, através da toponímia, percorrer a memória das ruas, largos, avenidas, ingressando na história e património das urbes.


quinta-feira, 5 de julho de 2012

Rua José Coelho Júnior – Quarteira

Placa toponímica em Quarteira
A  Câmara Municipal de Loulé, na sua reunião realizada a 23 de novembro de 2005, deliberou aprovar a perpetuação do nome de José Coelho Mendes numa artéria de Quarteira [1].

A placa toponímica foi descerrada a 13 de maio de 2006, no âmbito das comemorações do sétimo aniversário da elevação a cidade, que incluíram uma homenagem àquele pioneiro do turismo em Quarteira [2]

José Coelho Júnior
Nasceu em Boliqueime a 3 de março de 1918, tendo frequentado o ensino primário naquela aldeia.

José Coelho Júnior
Ainda jovem foi residir para Quarteira, onde instalou, em 1952, um restaurante, localizado à beira mar, designado por “Toca do Coelho”. Treze anos depois o estabelecimento cedeu lugar a um hotel, primeiramente designado como “Hotel Toca do Coelho” e mais tarde (1976) “Hotel D. José”. Com o seu espírito empreendedor, imprimiu ao longo da sua vida uma dinâmica impar no turismo quarteirense. Em 1979 foi eleito presidente da Junta de Freguesia de Quarteira, cargo que exerceu até 1984. Durante este período, a localidade foi elevada à categoria de vila, tendo sempre pugnado pelo seu desenvolvimento. 

Em 1996 foi distinguido pelo Secretário de Estado do Turismo, com a Medalha de Mérito Turístico – Grau Ouro. 

Faleceu a 22 de abril de 2010 [3]. 



[1] Ata da Câmara Municipal de Loulé, de 26/01/2006.
[3] Jornal “A Voz de Loulé”, n.º 1689, de 01/05/2010.





Nova toponímia nas ruas de Olhão no dia da cidade

No dia da cidade de Olhão, a 16 de junho, a Câmara Municipal de Olhão assinalou a atribuição de novos nomes a várias artérias localizadas na cidade, cujas designações foram anteriormente aprovadas em reunião de Câmara. 

Inauguração toponímica em Olhão
Das ruas com a nova toponímia, todas elas ligadas à história da cidade, destacam-se a Rua Caíque Bom Sucesso, fazendo jus ao barco que atravessou o oceano para dar a boa nova ao príncipe regente, que os olhanenses tinham expulsado os franceses da cidade. 

A Rua José da Cruz Charrão, membro da tripulação do Caíque na viagem ao Brasil, e a Rua Miguel do Ó, proprietário da embarcação, situadas junto à Escola Básica João da Rosa, foram incluídas nas celebrações do dia da cidade, com o descerramento da placa pelos representares autárquicos.

Na cerimónia de descerramento das placas o presidente do município, Francisco Leal, referiu a importância da nova toponímia, bem como o facto de se ter optado por nomes com história para as novas ruas. “Olhão não esquece os seus nem a sua história”, frisou. 

Fonte:

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Rua Padre Elísio Dias – Quarteira

Placa toponímica em Quarteira
A 29 de janeiro de 2006 uma comissão de paroquianos de Quarteira levou a efeito uma cerimónia de homenagem ao padre Elísio Dias, pelos seus 37 anos à frente daquela paróquia.

As comemorações, presididas pelo bispo do Algarve D. Manuel Neto Quintas, compreenderam a celebração eucarística na igreja de São Pedro do Mar, seguindo-se o descerramento de uma placa toponímica com o nome do homenageado, numa artéria junto àquele templo [1].

O topónimo havia sido aprovado em reunião da Câmara Municipal de Loulé de 23 de novembro de 2005, de acordo com uma proposta emanada pela Junta de Freguesia de Quarteira [2].

Elísio Dias
O padre Elísio Dias é natural da freguesia de São Mamede de Vermil (Guimarães), o­nde nasceu a 17 de dezembro de 1930.

Aos 25 anos ingressou no seminário, concluindo o curso de teologia no Seminário dos Olivais, em Lisboa.

Foi ordenado na Sé Catedral de Faro por D. Júlio Tavares Rebimbas, bispo do Algarve, a 30 de julho de 1967, sendo a 7 de outubro daquele ano nomeado pároco coadjutor de Portimão, a que se seguiu no ano seguinte a paroquialidade de Quarteira (15 de setembro de 1968).

Padre Elísio Dias
Nesta paróquia tem desempenhado uma relevante ação, tanto a nível espiritual como social. Desenvolveu importantes obras que vieram de encontro aos anseios da população, no domínio da estrutura religiosa e assistencial, destacando-se, como mais significativas, a ampliação da igreja paroquial de Nossa Senhora da Conceição, a construção da igreja de Pereiras, a igreja de Vilamoura, a igreja de São Pedro do Mar (cuja 2.ª fase de edificação se iniciou recentemente), o lar para a terceira idade e um refeitório social [3].


[2]Ata da Câmara Municipal de Loulé, de 26/01/2006.
[3]CML, Agraciados pelo Município de Loulé 1997, Loulé, Câmara Municipal de Loulé, 1997.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Travessa Telecom Portugal – Alcoutim

Placa toponímica em Alcoutim,
após o seu descerramento
A 17 de janeiro de 1992 foram inauguradas em Alcoutim as instalações da central telefónica digital, que permitiram uma melhoria significativa nas comunicações com o exterior. Na cerimónia estiveram presentes, para além do presidente da autarquia Manuel Cavaco Afonso, o governador civil de Faro Cabrita Neto, o administrador da Telecom Portugal (atual Portugal Telecom - PT) Iriarte Esteves e o presidente do conselho de administração dos CTT.

Na ocasião, este último “proferiu a sua alocução que disse ser o investimento feito pela empresa uma resposta ao nosso querer e o desejo desta em apoiar o desenvolvimento do Concelho de Alcoutim. Agradeceu todas as facilidades concedidas pela nossa Câmara não só na cedência, a preço simbólico do terreno onde está implantada a Central, como no apoio prestado ao longo da realização dos trabalhos. A terminar agradeceu ainda o facto da autarquia ter atribuído o nome de «Travessa da Telecom Portugal» à rua que dá acesso à central, frisando ser este um caso único no Algarve e no País” [1].

De facto, a 13 de novembro do ano anterior a autarquia havia deliberado aprovar o referido topónimo [2], tendo o ato de descerramento da placa toponímica ocorrido em simultâneo com a inauguração da central.


Cerimónia de inauguração da central telefónica,
nos Paços do Concelho


[1] Boletim Municipal, Câmara Municipal de Alcoutim, n.º 10, Abril 1992.
[2] Ata da Câmara Municipal de Alcoutim, de 13/11/1992.

sábado, 5 de maio de 2012

Rua Dr. João Baptista Ramos Faísca – Boliqueime

Placa toponímica em Boliqueime
Uma das primeiras artérias da aldeia de Boliqueime a ostentar denominação oficial foi a Rua Dr. João Baptista Ramos Faísca, submetida à aprovação da Câmara Municipal de Loulé a 2 de dezembro de 1969, por proposta da Junta de Freguesia de Boliqueime [1].

João Baptista Ramos Faísca
Nasceu em Loulé (S. Sebastião) a 22/09/1894, tendo-se formado em Medicina, na Faculdade de Medicina de Lisboa, em 29/04/1921 [2].

Pouco tempo depois foi nomeado Facultativo Municipal em Boliqueime, cargo que desempenhou durante cerca de três décadas. Aí distinguiu-se pela sua competência, filantropia e caridade, sendo respeitado pela generalidade da população da freguesia.

Fisicamente possuía constituição forte, apresentava cara redonda e usava óculos de tartaruga, constituindo uma figura carismática [3].

Exerceu as funções públicas de vice-presidente da Câmara Municipal de Loulé, entre 1932 e 33, durante a presidência do dr. José Joaquim Soares [4].

Faleceu em Loulé a 24/11/1974 [5].


[1] Ata da Câmara Municipal de Loulé, de 02/12/1969.
[2] Informação cedida pela Secção Regional do Sul da Ordem dos Médicos.
[3] “Loulé Magazine - Boliqueime”.
[4] Martins, Isilda, Loulé no Século XX, vol. III, Loulé, Câmara Municipal de Loulé, 2005.
[5] Assento de óbito n.º 475, da freguesia de São Clemente (Loulé).

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Rua Dr. Antero Cabral – Martim Longo

Uma das mais antigas artérias da aldeia serrana de Martim Longo, concelho de Alcoutim, é a atual Rua Dr. Antero Cabral, antiga Rua Direita, que ligava a entrada da localidade à Igreja Paroquial, possivelmente com origem medieval.

Em 1843 aparece mencionada nas atas da Câmara Municipal de Alcoutim com essa primitiva designação. Foi deliberado nessa época que os poiais aí existentes fossem feitos com asseio e caiados, devendo ser demolidos todos os que de futuro não estivessem desta forma. Igualmente foi deliberado fazer-lhe a competente calçada com a colaboração dos proprietários que à sua conta faziam uma vara em frente das suas casas[1].

Placa toponímica em Martim Longo
Em 1946, por influência do presidente da Junta de Freguesia Artur de Moura, “a Câmara Municipal, tomando em consideração a proposta apresentada por José Maria Mendes Amaral, Presidente, no sentido de mudar o nome da Rua Direita, do sítio de Martinlongo, da freguesia de Martinlongo, deste concelho para o de Rua Dr. Antero de Cabral, aprovou-se por unanimidade”[2].

Esta decisão teve como objetivo homenagear o então Governador Civil do distrito, que apoiou o desenvolvimento da freguesia durante o período em que ocupou aquele cargo público, nomeadamente através da construção de um troço da atual E.N. 124, que passou a ligar Alcoutim a Barranco do Velho, através de Martim Longo.

Antero Cabral
Antero Cabral
Antero Albano da Silva Cabral nasceu na vila de Odemira a 23 de novembro de 1895[3].

Assentou praça em Faro e aqui foi incorporado no Regimento de Infantaria 4. Como oficial miliciano combateu em França, durante a 1.ª Guerra Mundial, obtendo várias condecorações, entre as quais a Cruz de Guerra.

Realizou os seus estudos naquela cidade algarvia e formou-se em direito na Universidade de Lisboa, exercendo o mister de advogado em Beja durante alguns anos. Nesta cidade ocupou igualmente os lugares de presidente da Junta-Geral do Distrito, vice-presidente da Câmara Municipal e vogal da Comissão Distrital da União Nacional.

Mais tarde exerceu, em Lisboa, os cargos de promotor do Tribunal Coletivo dos Géneros Alimentícios, consultor jurídico e inspetor da Inspeção dos Géneros Alimentícios[4].

Viveu grande parte da sua vida no Algarve, onde desempenhou por duas vezes as funções de Governador Civil, nomeadamente entre 15 de julho de 1933 e 22 de agosto desse mesmo ano e entre 29 de outubro de 1944 e 17 de janeiro de 1948[5].

 

[2] Ata da Câmara Municipal de Alcoutim, de 20/02/1946.
[3] Assento de batismo n.º 17, de 1895, da paróquia de Santa Maria (Odemira).
[4] Jornal “O Algarve”, n.º 1909, de 29/10/1944.
[5] Gomes, Neto, Governo Civil do Distrito de Faro – 175 anos de história, Governo Civil de Faro, 2.ª edição, Loulé, 2010, p.276.


segunda-feira, 19 de março de 2012

Padre Júlio Tropa

O padre Júlio Tropa, falecido no transato dia 25 de janeiro de 2012, foi homenageado em reunião da Câmara Municipal de Faro, realizada nessa mesma data. Na mesma ocasião foi aprovado um voto de pesar pelo seu falecimento e deliberado consagrar o nome em dois topónimos:
     a)    Em Santa Bárbara de Nexe, ao arruamento que serve de variante a poente da aldeia e o centro social por ele criado, desde a rua de Loulé, até à Estrada da Alagoa, revogando-se a deliberação de 07/10/2005, através da qual este arruamento foi designado por Rua do Ribeiro, ainda que tal nunca tenha sido concretizado;
     b)    Em Estoi ao arruamento que sai da Rua João de Deus na lateral norte da Extensão de Saúde, que serve a futura Unidade de Cuidados Continuados.

Júlio Tropa Mendes
Natural de Mação (Santarém), nasceu a 26 de dezembro de 1934.

Distinto cidadão de Faro que esteve ao serviço da Paróquia de Santa Bárbara de Nexe, durante mais de 42 anos e da Paróquia de Estoi nos últimos 25 anos. Alcançou um carinho, simpatia e reconhecimento transversal que foi muito além dos limites de Faro. É incontornável a sua ligação e entrega às causas sociais. Exemplo disso são as obras dos Centros Comunitários de Estoi e de Santa Bárbara de Nexe, pelos quais lutou quando muitos já consideravam a causa perdida e hoje, o concelho de Faro, conta com estas valências de apoio social.

Durante a sua vida recebeu várias homenagens - da Diocese do Algarve, de cidadãos anónimos ou das freguesias onde desempenhou as suas funções. Em 2002 também a Câmara Municipal de Faro lhe prestou o devido reconhecimento público ao agraciá-lo com a Medalha de Mérito – Grau Ouro. 

Na homenagem que lhe foi prestada em agosto passado pela Junta de Freguesia de Estoi, Júlio Tropa usou a expressão bíblica: “Depois de teres feito o que devias fazer, considera-te servo inútil”, numa partilha de humildade que o caracterizava. Para ele tudo o que fazia era parte do papel que assumiu perante Deus.

Foi ordenado sacerdote na Igreja da Sé, em Faro, a 15 de julho de 1962 e não mais deixou o Algarve. Em 1969 foi para a paróquia de Santa Bárbara de Nexe onde permaneceu até ao fim dos seus dias, sempre com o mesmo vigor do jovem que aos 35 anos chegou para servir os fiéis daquela freguesia e acabou por servir todos os farenses.

Fonte:
http://www.cm-faro.pt/noticias/1688/pesar-pelo-falecimento-do-padre-julio-tropa.aspx


Mais 14 topónimos no concelho de Faro

Com vista à regularização de artérias e arruamentos sem toponímia e para corrigir situações anómalas foi aprovado, em reunião da Câmara Municipal de Faro de 22 de fevereiro de 2012, a atribuição de 14 novos topónimos no concelho, por proposta da Comissão Municipal de Toponímia.

As propostas aprovadas repartem-se por 4 das 6 freguesias do concelho (Sé, São Pedro, Montenegro e Conceição de Faro) e homenageiam personalidades ligadas a Faro.

Na freguesia de Sé:
Praceta Vivaldo Beldade – 1923-2001 – funcionário público e poeta. Com apenas a 4.ª classe a sua curiosidade e inteligência fez com que se tornasse um autodidata. Escreveu poesia, peças de teatro e colaborou com a imprensa regional. Mudou-se para Faro onde integrou a função pública e aos 47 anos voltou a estudar tendo concluído o curso de Administração e Comércio.
Praceta Boaventura Passos – 1885-1935 – escritor. Notabilizou-se como jornalista mas sobretudo como desenhador com grande notoriedade na caricatura e retrato.
Praceta Monteiro Simões – 1891-1946 – reitor do Liceu de Faro. Foi também um brilhante orador, colaborou na imprensa algarvia e fazia parte do júri de exames de admissão ao estágio no Liceu Pedro Nunes em Lisboa. A sua dedicação ao ensino valeu-lhe, em 1937, um louvor do Ministro da Educação Nacional.
Praceta José Júlio Rodrigues 1874-1946 – professor e escritor. Natural de Lisboa, estudou filosofia e depois, em Bruxelas, frequentou as Belas Artes. Dedicou-se ao ensino liceal e foi, durante alguns anos, reitor do Liceu de Faro. Na sua passagem pelo Algarve promoveu várias iniciativas culturais. Na imprensa regional e nos vespertinos lisboetas encetou uma campanha de proteção das ruínas romanas de Milreu.
Rua Jornal “O Correio do Sul” – Semanário de Faro fundado em 1920. Este topónimo foi atribuído por deliberação de Câmara de 16 de Maio de 1973, pretendendo-se a sua extensão de forma a cobrir a totalidade deste arruamento.

Em São Pedro:
Rua Roberto Nobre – 1903-1969 – cineasta. A paixão pelo cinema surgiu muito cedo e adquiriu uma câmara Emneman com a qual fez as primeiras experiências. Revelou-se logo aqui a sua criatividade. O Algarve e as suas tradições tornaram-se o seu laboratório de eleição. Dada a sua inteligência, na década de 20 tornou-se assistente de Albert Dunot trabalhando depois com Artur Costa de Macedo.
Praceta Júlio Rosa Bernardo – 1905-1946 – sindicalista. Não tinha estudos mas era um homem de sólida cultura. Foi para Lisboa como ajudante de Farmácia. As lutas políticas e as alterações sindicais ocupavam o seu dia a dia na capital.
Rua José Lorjó Tavares – 1857-1939 – dramaturgo e jornalista. Estudou em Faro e em Lisboa cedo revelou os seus talentos literários. Depressa se tornou um jornalista famoso como redator do “Correio da Noite”, colaborou com outros jornais.
Praceta António Augusto Santos – 1906-1987 – jornalista desportivo. Tinha apenas a instrução primária mas tornou-se um homem muito culto. Ainda jovem fundou o “Jornal do Barreiro” tendo colaborado com grandes escritores nacionais. Já em Faro cooperou com quase toda a imprensa algarvia. Escrevia também para jornais diários e foi durante mais de 30 anos correspondente do “Jornal de Notícias”. Foi também poeta e dramaturgo de grande talento e qualidade artística.
Rua Manuel Caetano de Sousa – 1891-1974 – militar e publicista. Natural de Beja ingressou aos 16 anos na vida militar como voluntário. Combateu na I Guerra Mundial onde teve ações de bravura e mérito que lhe valeram a condecoração com o Grau de Cavaleiro da Ordem de Cristo. Em 1918 fixa-se em Faro para continuar a sua carreira militar. Aqui fundou em 1922 o semanário “Moca…” que foi o primeiro e único órgão que declaradamente se assumia “para defesa do consumidor”. Foi Presidente da Junta Geral do Distrito onde se destacou na proteção das crianças. Fundou também o Sanatório Hospital para tuberculosos tendo salvo da morte centenas de pessoas.

Na Conceição de Faro:
Rua José Ferreira da Silva – 1870-1949 – jornalista e funcionário público. Natural de Loulé fixou-se em Faro ainda jovem onde se empregou como funcionário das Obras Públicas. Fundou, em março de 1908, em parceria com o Dr. Artur Aguedo Miranda e Luís Sepúlveda Pimentel Mascarenhas, o semanário “O Algarve”.
Praceta Cónego Jorge de Sousa – 1911-1998 – Pároco da Conceição de Faro. Natural de Aljezur, detentor do curso de teologia foi nomeado em 1937 Pároco encomendado da Conceição de Faro. Desde 1957 e até à data do seu falecimento foi sendo nomeado para elevados cargos dentro da diocese.
Rua Alfredo de Sousa Barão – 1916-2011 – fundador da Casa do Povo da Conceição de Faro. É reconhecido por todos, especialmente na freguesia da Conceição de Faro, como um bom homem que serviu sempre a freguesia que o viu nascer. Com talento reconhecido para as letras cedo começou a trabalhar. O seu feito maior, se assim o podemos dizer, foi a criação, em 1948 da Casa do Povo de Conceição de Faro. Alfredo Barão serviu de forma continuada, durante cerca de 80 anos, a sua freguesia, desempenhando as tarefas e diligências para o seu desenvolvimento. O Município distinguiu com a Medalha de Mérito, grau cobre na sessão solene do Dia do Concelho em 2011.

Na freguesia de Montenegro:
Jardim Antero Nobre – 1910-1997 – historiador e jornalista. Natural de Moncarapacho revelou ainda jovem o seu talento literário, mostrando-se um esforçado organizador de eventos culturais. Foi durante anos funcionário do Instituto Nacional das Actividades Económicas e aposentou-se por motivos de saúde. Na década de 50 foi Presidente da Câmara Municipal de Olhão. Foi um dos maiores impulsionadores do escutismo em Portugal. Nos finais dos anos 40 assumiu a direção do semanário farense “Correio do Sul”.

A autarquia tem feito um esforço com vista à regularização de situações que, de uma forma ou de outra, traziam problemas para moradores e para os serviços municipais.

Fonte:

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Escola Básica Professor Joaquim Moreira – Martim Longo (Alcoutim)

A Escola Básica de Martim Longo iniciou a sua actividade lectiva em Outubro de 1999, constituindo um importante marco para o desenvolvimento desta freguesia do interior algarvio.

Placa de homenagem
Em sessão de 9 de Julho de 2008 a Câmara Municipal de Alcoutim aprovou a atribuição do nome do professor Joaquim Moreira, como patrono do estabelecimento de ensino, tendo a denominação sido ratificada por despacho do Secretário de Estado da Educação, datado de 9 de Junho de 2011.

Seis meses depois, a 7 de Novembro, coincidindo com o oitavo aniversário do falecimento do professor Joaquim Moreira, a Câmara Municipal de Alcoutim, conjuntamente com o Agrupamento de Escolas do Concelho, prestaram-lhe homenagem, através da realização de diversas iniciativas, nomeadamente uma missa solene, o descerramento de uma placa alusiva à efeméride, a apresentação de uma exposição biográfica e uma sessão de testemunhos.

Nesta homenagem estiveram presentes várias entidades locais e regionais, onde se destacaram o Director Regional de Educação do Algarve, Professor Alberto Almeida, o Presidente da Câmara Municipal de Alcoutim, Dr. Francisco Amaral e o Director do Agrupamento de Escolas do Concelho de Alcoutim, Professor António Amorim.

Joaquim Fernandes Pinheiro Moreira[1]

Origens e vocação
Joaquim Fernandes Pinheiro[2] nasceu na aldeia de Salvaterra do Extremo, pertencente ao concelho de Idanha-a-Nova, no distrito de Castelo Branco, no dia 14 de Abril de 1927.

Aos 11 anos, em Outubro de 1938, após concluir o ensino primário, ingressou no Seminário de Alcains. Em 1948 prosseguiu os estudos no Seminário de Gavião, iniciando o curso de Teologia. Transferiu-se depois para o Seminário Maior de Marvão, concluindo o referido curso em 1952.

No ano seguinte rumou a Faro, onde se tornou professor e prefeito do Seminário, cargos que ocupou até 1957.

Ordenação saderdotal
Nesta cidade foi ordenado sacerdote a 5 de Dezembro de 1954, pelo Bispo Coadjutor D. Francisco Rendeiro, durante um Solene Pontifical, um acto que se revestiu de invulgar brilhantismo e esplendor litúrgico. Além do Cabido, Clero e Seminário, tomaram lugar na capela-mor, os srs. Governador Civil [Manuel Mascarenhas Gaivão] e Cônsul de Espanha.
Entre os convidados, vimos distintas individualidades do distrito e do concelho, em representação do exército, da marinha, do ensino e de todas as obras educativas, patrióticas e assistenciais.
A assistência enchia por completo o vasto templo da Sé.
(…) No fim do Pontifical, Sua Ex.ª Rev.ma o Senhor Bispo Coadjutor proferiu uma notável alocução sobre o grande dom que o Senhor acabava de conceder à Diocese do Algarve, a graça de mais um novo sacerdote, e enalteceu o privilégio da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, em palavras repassadas de verdadeiro afecto filial para com a Mãe de Deus.[3]

Três dias depois Joaquim Moreira celebrou Missa Nova na sua terra natal, durante a solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria, padroeira da freguesia.

A 17 de Março de 1955 foi nomeado pároco do Ameixial (concelho de Loulé) e em 1957 transferiu-se para o concelho de Alcoutim, tornando-se responsável pelas paróquias de Alcoutim, Pereiro e Giões. Em 1969 passou a acumular as funções de pároco de Martim Longo e Vaqueiros.

Entre 1958 e 59 ocupou o cargo de provedor da Santa Casa da Misericórdia de Alcoutim.

Início de uma vida dedicada ao ensino
Desde cedo demonstrou uma elevada apetência para leccionar, exercendo o mister no Seminário de Faro durante quatro anos (1953 – 57).

Com a sua fixação no concelho de Alcoutim, inteirou-se de um sistema de ensino deficitário e de um analfabetismo extremo. De modo a colmatar as carências detectadas, iniciou em Giões, a 4 de Fevereiro de 1961, em regime de ensino doméstico, a preparação de 12 alunos para efectuarem o exame do 2º ano do Liceu em Faro. Dado que obteve resultados positivos prosseguiu a iniciativa até 1966, contribuindo deste modo para o sucesso escolar de dezenas de jovens alcoutenejos.

Um sonho realizado – a Telescola
Uma vez que o ensino nas freguesias mais afastadas da sede de concelho se cingia ao nível primário, Joaquim Moreira idealizou o seu alargamento a mais dois anos, através da implementação da Telescola.

Envidou esforços e em 1966/67 obteve o alvará para a criação do Posto Particular da Telescola n.º 481 em Giões. Quatro anos depois o mesmo foi transferido para Martim Longo, com duas salas de aulas, mantendo outras tantas em Giões.

No ano lectivo 1972/73 foi criado o Posto Oficial da Telescola n.º 120 em Martim Longo, que se repartiu entre esta localidade e Giões (as salas de aulas em Giões mantiveram-se até ao ano lectivo 1974/75).

A partir daí e até ao encerramento do Posto Oficial, no ano lectivo 1998/99, foi o responsável pelo mesmo, ministrando aulas de Português, Francês, História, Estudos Sociais, Matemática, Ciências da Natureza, Educação Moral e Religiosa.

Ensino com qualidade
Para além de leccionar, Joaquim Moreira preocupou-se igualmente em criar condições para que os alunos aprendessem condignamente, contribuindo assim para o seu sucesso escolar.

Na década de 1960 organizou colónias de férias, levando as crianças para a praia de Montegordo durante o período de verão, onde poderiam conviver e experimentar novas vivências na zona litoral.

As instalações físicas também o inquietaram, promovendo melhorias contínuas ao longo dos anos. Em 1970, após adquirir um prédio em Martim Longo, destinado a habitação, procedeu à sua adaptação para receber o Posto Particular da Telescola e posteriormente o Posto Oficial, realizando avultadas obras a expensas suas. Nos anos seguintes executou melhoramentos diversos no referido edifício, nomeadamente a criação de uma nova sala de aulas e instalações sanitárias. Deu ainda início à construção de um refeitório, pois era seu lema “Corpos mal alimentados, não são boas vasilhas para o trabalho intelectual.”

Foi também o responsável pelo aparecimento dos primeiros transportes escolares no concelho de Alcoutim. Para o efeito realizou diversas deslocações, em 1975, ao IASE (Instituto de Acção Social Escolar) em Lisboa e adquiriu, a seu cargo, uma carrinha para o transporte dos alunos do Posto Oficial da Telescola em Martim Longo.

Joaquim Moreira
O fim do sacerdócio e a família
Joaquim Moreira deixou em 1974, a seu pedido, de exercer o sacerdócio, obtendo dispensa por parte da hierarquia da Igreja.

Casou civilmente com Josélia dos Prazeres Teixeira, a 5 de Maio de 1974 e catolicamente a 23 de Dezembro de 1978. O primeiro filho, José António, nasceu em 1976 e o segundo, João Pedro, dois anos depois.

Faleceu em Vila Real de Santo António a 7 de Novembro de 2003.

O Reconhecimento
A 12 de Setembro de 1997, no dia do Município, foi homenageado pela Câmara Municipal de Alcoutim, sendo-lhe atribuída a Medalha de Mérito – Grau Prata, na área da Educação.

A 9 de Julho de 2008 foi proposta, também pela Câmara Municipal de Alcoutim, a atribuição do seu nome à Escola Básica de Martim Longo, tendo a denominação sido aprovada por despacho do Secretário de Estado da Educação, datado de 9 de Junho de 2011.

É indiscutível que Joaquim Fernandes Pinheiro Moreira desempenhou, durante quatro décadas, um papel preponderante no ensino no concelho de Alcoutim. O seu carácter forte e a persistência nos ideais possibilitaram que várias centenas de jovens do concelho prosseguissem os estudos para além da 4.ª classe, aumentado o nível de escolaridade e melhorando significativamente as suas perspectivas de futuro. Um legado que ficou vincado em várias gerações e que contribuiu de sobremaneira para o progresso de Alcoutim.


[1]As informações para a elaboração da presente biografia foram maioritariamente facultadas pelo Dr. José Moreira.
[2]Em 1958 requereu a rectificação do seu nome de baptismo, no sentido de passar a incluir o sobrenome Moreira.
[3]Jornal “Folha do Domingo”, n.º 2067, de 12/12/1954.