Este Blog destina-se à divulgação de trabalhos, notícias e outros textos relativos à toponímia das artérias de diversas localidades, nomeadamente de Loulé e da restante região do Algarve. Pretende-se assim, através da toponímia, percorrer a memória das ruas, largos, avenidas, ingressando na história e património das urbes.


quinta-feira, 5 de julho de 2012

Rua José Coelho Júnior – Quarteira

Placa toponímica em Quarteira
A  Câmara Municipal de Loulé, na sua reunião realizada a 23 de novembro de 2005, deliberou aprovar a perpetuação do nome de José Coelho Mendes numa artéria de Quarteira [1].

A placa toponímica foi descerrada a 13 de maio de 2006, no âmbito das comemorações do sétimo aniversário da elevação a cidade, que incluíram uma homenagem àquele pioneiro do turismo em Quarteira [2]

José Coelho Júnior
Nasceu em Boliqueime a 3 de março de 1918, tendo frequentado o ensino primário naquela aldeia.

José Coelho Júnior
Ainda jovem foi residir para Quarteira, onde instalou, em 1952, um restaurante, localizado à beira mar, designado por “Toca do Coelho”. Treze anos depois o estabelecimento cedeu lugar a um hotel, primeiramente designado como “Hotel Toca do Coelho” e mais tarde (1976) “Hotel D. José”. Com o seu espírito empreendedor, imprimiu ao longo da sua vida uma dinâmica impar no turismo quarteirense. Em 1979 foi eleito presidente da Junta de Freguesia de Quarteira, cargo que exerceu até 1984. Durante este período, a localidade foi elevada à categoria de vila, tendo sempre pugnado pelo seu desenvolvimento. 

Em 1996 foi distinguido pelo Secretário de Estado do Turismo, com a Medalha de Mérito Turístico – Grau Ouro. 

Faleceu a 22 de abril de 2010 [3]. 



[1] Ata da Câmara Municipal de Loulé, de 26/01/2006.
[3] Jornal “A Voz de Loulé”, n.º 1689, de 01/05/2010.





Nova toponímia nas ruas de Olhão no dia da cidade

No dia da cidade de Olhão, a 16 de junho, a Câmara Municipal de Olhão assinalou a atribuição de novos nomes a várias artérias localizadas na cidade, cujas designações foram anteriormente aprovadas em reunião de Câmara. 

Inauguração toponímica em Olhão
Das ruas com a nova toponímia, todas elas ligadas à história da cidade, destacam-se a Rua Caíque Bom Sucesso, fazendo jus ao barco que atravessou o oceano para dar a boa nova ao príncipe regente, que os olhanenses tinham expulsado os franceses da cidade. 

A Rua José da Cruz Charrão, membro da tripulação do Caíque na viagem ao Brasil, e a Rua Miguel do Ó, proprietário da embarcação, situadas junto à Escola Básica João da Rosa, foram incluídas nas celebrações do dia da cidade, com o descerramento da placa pelos representares autárquicos.

Na cerimónia de descerramento das placas o presidente do município, Francisco Leal, referiu a importância da nova toponímia, bem como o facto de se ter optado por nomes com história para as novas ruas. “Olhão não esquece os seus nem a sua história”, frisou. 

Fonte:

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Rua Padre Elísio Dias – Quarteira

Placa toponímica em Quarteira
A 29 de janeiro de 2006 uma comissão de paroquianos de Quarteira levou a efeito uma cerimónia de homenagem ao padre Elísio Dias, pelos seus 37 anos à frente daquela paróquia.

As comemorações, presididas pelo bispo do Algarve D. Manuel Neto Quintas, compreenderam a celebração eucarística na igreja de São Pedro do Mar, seguindo-se o descerramento de uma placa toponímica com o nome do homenageado, numa artéria junto àquele templo [1].

O topónimo havia sido aprovado em reunião da Câmara Municipal de Loulé de 23 de novembro de 2005, de acordo com uma proposta emanada pela Junta de Freguesia de Quarteira [2].

Elísio Dias
O padre Elísio Dias é natural da freguesia de São Mamede de Vermil (Guimarães), o­nde nasceu a 17 de dezembro de 1930.

Aos 25 anos ingressou no seminário, concluindo o curso de teologia no Seminário dos Olivais, em Lisboa.

Foi ordenado na Sé Catedral de Faro por D. Júlio Tavares Rebimbas, bispo do Algarve, a 30 de julho de 1967, sendo a 7 de outubro daquele ano nomeado pároco coadjutor de Portimão, a que se seguiu no ano seguinte a paroquialidade de Quarteira (15 de setembro de 1968).

Padre Elísio Dias
Nesta paróquia tem desempenhado uma relevante ação, tanto a nível espiritual como social. Desenvolveu importantes obras que vieram de encontro aos anseios da população, no domínio da estrutura religiosa e assistencial, destacando-se, como mais significativas, a ampliação da igreja paroquial de Nossa Senhora da Conceição, a construção da igreja de Pereiras, a igreja de Vilamoura, a igreja de São Pedro do Mar (cuja 2.ª fase de edificação se iniciou recentemente), o lar para a terceira idade e um refeitório social [3].


[2]Ata da Câmara Municipal de Loulé, de 26/01/2006.
[3]CML, Agraciados pelo Município de Loulé 1997, Loulé, Câmara Municipal de Loulé, 1997.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Travessa Telecom Portugal – Alcoutim

Placa toponímica em Alcoutim,
após o seu descerramento
A 17 de janeiro de 1992 foram inauguradas em Alcoutim as instalações da central telefónica digital, que permitiram uma melhoria significativa nas comunicações com o exterior. Na cerimónia estiveram presentes, para além do presidente da autarquia Manuel Cavaco Afonso, o governador civil de Faro Cabrita Neto, o administrador da Telecom Portugal (atual Portugal Telecom - PT) Iriarte Esteves e o presidente do conselho de administração dos CTT.

Na ocasião, este último “proferiu a sua alocução que disse ser o investimento feito pela empresa uma resposta ao nosso querer e o desejo desta em apoiar o desenvolvimento do Concelho de Alcoutim. Agradeceu todas as facilidades concedidas pela nossa Câmara não só na cedência, a preço simbólico do terreno onde está implantada a Central, como no apoio prestado ao longo da realização dos trabalhos. A terminar agradeceu ainda o facto da autarquia ter atribuído o nome de «Travessa da Telecom Portugal» à rua que dá acesso à central, frisando ser este um caso único no Algarve e no País” [1].

De facto, a 13 de novembro do ano anterior a autarquia havia deliberado aprovar o referido topónimo [2], tendo o ato de descerramento da placa toponímica ocorrido em simultâneo com a inauguração da central.


Cerimónia de inauguração da central telefónica,
nos Paços do Concelho


[1] Boletim Municipal, Câmara Municipal de Alcoutim, n.º 10, Abril 1992.
[2] Ata da Câmara Municipal de Alcoutim, de 13/11/1992.

sábado, 5 de maio de 2012

Rua Dr. João Baptista Ramos Faísca – Boliqueime

Placa toponímica em Boliqueime
Uma das primeiras artérias da aldeia de Boliqueime a ostentar denominação oficial foi a Rua Dr. João Baptista Ramos Faísca, submetida à aprovação da Câmara Municipal de Loulé a 2 de dezembro de 1969, por proposta da Junta de Freguesia de Boliqueime [1].

João Baptista Ramos Faísca
Nasceu em Loulé (S. Sebastião) a 22/09/1894, tendo-se formado em Medicina, na Faculdade de Medicina de Lisboa, em 29/04/1921 [2].

Pouco tempo depois foi nomeado Facultativo Municipal em Boliqueime, cargo que desempenhou durante cerca de três décadas. Aí distinguiu-se pela sua competência, filantropia e caridade, sendo respeitado pela generalidade da população da freguesia.

Fisicamente possuía constituição forte, apresentava cara redonda e usava óculos de tartaruga, constituindo uma figura carismática [3].

Exerceu as funções públicas de vice-presidente da Câmara Municipal de Loulé, entre 1932 e 33, durante a presidência do dr. José Joaquim Soares [4].

Faleceu em Loulé a 24/11/1974 [5].


[1] Ata da Câmara Municipal de Loulé, de 02/12/1969.
[2] Informação cedida pela Secção Regional do Sul da Ordem dos Médicos.
[3] “Loulé Magazine - Boliqueime”.
[4] Martins, Isilda, Loulé no Século XX, vol. III, Loulé, Câmara Municipal de Loulé, 2005.
[5] Assento de óbito n.º 475, da freguesia de São Clemente (Loulé).

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Rua Dr. Antero Cabral – Martim Longo

Uma das mais antigas artérias da aldeia serrana de Martim Longo, concelho de Alcoutim, é a atual Rua Dr. Antero Cabral, antiga Rua Direita, que ligava a entrada da localidade à Igreja Paroquial, possivelmente com origem medieval.

Em 1843 aparece mencionada nas atas da Câmara Municipal de Alcoutim com essa primitiva designação. Foi deliberado nessa época que os poiais aí existentes fossem feitos com asseio e caiados, devendo ser demolidos todos os que de futuro não estivessem desta forma. Igualmente foi deliberado fazer-lhe a competente calçada com a colaboração dos proprietários que à sua conta faziam uma vara em frente das suas casas[1].

Placa toponímica em Martim Longo
Em 1946, por influência do presidente da Junta de Freguesia Artur de Moura, “a Câmara Municipal, tomando em consideração a proposta apresentada por José Maria Mendes Amaral, Presidente, no sentido de mudar o nome da Rua Direita, do sítio de Martinlongo, da freguesia de Martinlongo, deste concelho para o de Rua Dr. Antero de Cabral, aprovou-se por unanimidade”[2].

Esta decisão teve como objetivo homenagear o então Governador Civil do distrito, que apoiou o desenvolvimento da freguesia durante o período em que ocupou aquele cargo público, nomeadamente através da construção de um troço da atual E.N. 124, que passou a ligar Alcoutim a Barranco do Velho, através de Martim Longo.

Antero Cabral
Antero Cabral
Antero Albano da Silva Cabral nasceu na vila de Odemira a 23 de novembro de 1895[3].

Assentou praça em Faro e aqui foi incorporado no Regimento de Infantaria 4. Como oficial miliciano combateu em França, durante a 1.ª Guerra Mundial, obtendo várias condecorações, entre as quais a Cruz de Guerra.

Realizou os seus estudos naquela cidade algarvia e formou-se em direito na Universidade de Lisboa, exercendo o mister de advogado em Beja durante alguns anos. Nesta cidade ocupou igualmente os lugares de presidente da Junta-Geral do Distrito, vice-presidente da Câmara Municipal e vogal da Comissão Distrital da União Nacional.

Mais tarde exerceu, em Lisboa, os cargos de promotor do Tribunal Coletivo dos Géneros Alimentícios, consultor jurídico e inspetor da Inspeção dos Géneros Alimentícios[4].

Viveu grande parte da sua vida no Algarve, onde desempenhou por duas vezes as funções de Governador Civil, nomeadamente entre 15 de julho de 1933 e 22 de agosto desse mesmo ano e entre 29 de outubro de 1944 e 17 de janeiro de 1948[5].

 

[2] Ata da Câmara Municipal de Alcoutim, de 20/02/1946.
[3] Assento de batismo n.º 17, de 1895, da paróquia de Santa Maria (Odemira).
[4] Jornal “O Algarve”, n.º 1909, de 29/10/1944.
[5] Gomes, Neto, Governo Civil do Distrito de Faro – 175 anos de história, Governo Civil de Faro, 2.ª edição, Loulé, 2010, p.276.


segunda-feira, 19 de março de 2012

Padre Júlio Tropa

O padre Júlio Tropa, falecido no transato dia 25 de janeiro de 2012, foi homenageado em reunião da Câmara Municipal de Faro, realizada nessa mesma data. Na mesma ocasião foi aprovado um voto de pesar pelo seu falecimento e deliberado consagrar o nome em dois topónimos:
     a)    Em Santa Bárbara de Nexe, ao arruamento que serve de variante a poente da aldeia e o centro social por ele criado, desde a rua de Loulé, até à Estrada da Alagoa, revogando-se a deliberação de 07/10/2005, através da qual este arruamento foi designado por Rua do Ribeiro, ainda que tal nunca tenha sido concretizado;
     b)    Em Estoi ao arruamento que sai da Rua João de Deus na lateral norte da Extensão de Saúde, que serve a futura Unidade de Cuidados Continuados.

Júlio Tropa Mendes
Natural de Mação (Santarém), nasceu a 26 de dezembro de 1934.

Distinto cidadão de Faro que esteve ao serviço da Paróquia de Santa Bárbara de Nexe, durante mais de 42 anos e da Paróquia de Estoi nos últimos 25 anos. Alcançou um carinho, simpatia e reconhecimento transversal que foi muito além dos limites de Faro. É incontornável a sua ligação e entrega às causas sociais. Exemplo disso são as obras dos Centros Comunitários de Estoi e de Santa Bárbara de Nexe, pelos quais lutou quando muitos já consideravam a causa perdida e hoje, o concelho de Faro, conta com estas valências de apoio social.

Durante a sua vida recebeu várias homenagens - da Diocese do Algarve, de cidadãos anónimos ou das freguesias onde desempenhou as suas funções. Em 2002 também a Câmara Municipal de Faro lhe prestou o devido reconhecimento público ao agraciá-lo com a Medalha de Mérito – Grau Ouro. 

Na homenagem que lhe foi prestada em agosto passado pela Junta de Freguesia de Estoi, Júlio Tropa usou a expressão bíblica: “Depois de teres feito o que devias fazer, considera-te servo inútil”, numa partilha de humildade que o caracterizava. Para ele tudo o que fazia era parte do papel que assumiu perante Deus.

Foi ordenado sacerdote na Igreja da Sé, em Faro, a 15 de julho de 1962 e não mais deixou o Algarve. Em 1969 foi para a paróquia de Santa Bárbara de Nexe onde permaneceu até ao fim dos seus dias, sempre com o mesmo vigor do jovem que aos 35 anos chegou para servir os fiéis daquela freguesia e acabou por servir todos os farenses.

Fonte:
http://www.cm-faro.pt/noticias/1688/pesar-pelo-falecimento-do-padre-julio-tropa.aspx