Este Blog destina-se à divulgação de trabalhos, notícias e outros textos relativos à toponímia das artérias de diversas localidades, nomeadamente de Loulé e da restante região do Algarve. Pretende-se assim, através da toponímia, percorrer a memória das ruas, largos, avenidas, ingressando na história e património das urbes.


quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Av. José Maria Nunes – Faro

O cineasta farense José Maria Nunes será homenageado no próximo dia 7 de setembro, através do descerramento de uma placa toponímica localizada no troço viário que liga a rotunda do Fórum Algarve à rotunda da Escola Superior de Saúde. O topónimo foi aprovado em reunião da Câmara Municipal de Faro de 2 de novembro de 2011.
 
Esta iniciativa insere-se no programa de comemorações do Dia do Município farense, que inclui uma sessão solene nos Paços do Concelho de Faro, onde serão distinguidas personalidades e entidades, bem como a inauguração do Parque Ribeirinho e da Escola Básica da Lejana.
 
José Maria Nunes
Cineasta considerado o pai da escola de cinema de Barcelona, nasceu em Faro em 1930. Aos 12 anos emigrou com a família para Espanha, fixando-se posteriormente em Barcelona, cidade de residência até à sua morte, ocorrida a 23 de março de 2010.
 
Interessado pelo mundo do cinema, nos anos 50 iniciou um admirável percurso pela sétima arte na Catalunha. Realizou o seu primeiro filme, “Mañana”, em 1957. Directo, sem convenções, experimental, realizou um total de 14 filmes e colaborou em quase três dezenas. Guerras, êxodos, repressões, torturas, desejos e ânsias de união e separação foram os temas mais abordados pelo realizador. Para além da realização, escreveu ensaios, guiões e participou como ator em diversos filmes.
 
Ao longo do percurso, José María Nunes atravessou uma ditadura e, como muitos outros realizadores, viu a sua criação censurada. A sua última obra, produzida em 2009, intitulou-se “Res publica”.
 
Em 2002 foi premiado como Melhor Realizador, com o filme “Amigogima”, na primeira edição dos Prémios de Barcelona e no dia 4 de março de 2010 recebeu das mãos do Presidente da República a condecoração de Grande Oficial da Ordem de Santiago.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Arquivo Histórico Municipal António Rosa Mendes – Vila Real de Santo António

Assinalando os 238 anos da fundação de Vila Real de Santo António, a autarquia local preparou um vasto programa comemorativo, com diversas iniciativas, entre as quais a apresentação do programa de homenagens a António Rosa Mendes e a atribuição do nome do insigne professor ao Arquivo Histórico Municipal. Ambos os atos decorreram no dia 13 de maio, feriado municipal [1].
 
Na ocasião, foi distribuído um desdobrável, justificando a atribuição do nome de António Rosa Mendes àquele equipamento cultural, cujo conteúdo se passa e transcrever:
 
António Manuel Nunes Rosa Mendes
Um Grande Homem da Cultural de Portugal
 
António Manuel Nunes Rosa Mendes, vulto eminente da cultura portuguesa e algarvia, nasceu em Vila Nova de Cacela, a 21 de Maio de 1954.
 
Fez o ensino secundário no Liceu Nacional de Faro, tendo-se licenciado em História e em Direito, pela. Universidade de Lisboa, respetivamente, em 1981 e 1995. Mais tarde, graduou-se em Mestre em História Cultural e Política, em 1991, pela Universidade Nova de Lisboa, e Doutorou-se em Historia Moderna, em 2003, pela Universidade do Algarve.
 
Foi professor na Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve.
 
Respeitado e admirado por alunos e colegas e por toda a comunidade das suas relações, contribuiu para impulsionar a investigação científica em tomo da História do Algarve.
 
Além de académico e historiador, António Rosa Mendes foi um pedagogo, poeta, jurista, editor e autor de uma vasta bibliografia.
 
Foi um dos fundadores da editora algarvia “Gente Singular”. Realizou inúmeras conferências, em Portugal e no estrangeiro. Foi presidente da “Faro, Capital Nacional da Cultura”, em 2003 e 2004.
 
Foi, ainda, Diretor da Biblioteca da Universidade do Algarve, tendo sido responsável pelo Centro de Estudos de Património e História do Algarve (CEPHA).
 
As raízes algarvias marcaram toda a sua intervenção académica, cívica, social e política. Foi um regionalista comprometido, apaixonado pelas temáticas regionais, que lutou por uma Região do Algarve com mais poderes e autonomia administrativa e política.
 
Social-democrata por opção política, foi presidente da Assembleia Municipal de Vila Real de Santo António (1985-1989) e Vereador desta autarquia (1989-1993).
 
Publicamente reconhecido como homem íntegro, culto, humanista, desprendido, humilde, com carácter, princípios e coragem cívica, António Rosa Mendes faleceu em Faro, a 4 de Junho de 2013.
 
A Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, em reconhecimento pela sua Vida e Obra, decidiu atribuir o seu nome como Patrono a um dos edifícios e equipamentos mais culturalmente relevantes da cidade: o agora denominado Arquivo Histórico Municipal António Rosa Mendes”.
 

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Largo 25 de Abril – Olhão

Integrado nas comemorações dos 40 anos do 25 de abril, Olhão inaugurou, no passado dia 25, um topónimo alusivo à Revolução dos Cravos.
 
Rememorando desta forma o 25 de abril de 1974, o Município de Olhão decidiu atribuir ao largo em frente ao Tribunal, em reunião de 9 de abril de 2014 [1], o nome Largo 25 de Abril. Presentes na cerimónia estiveram as entidades municipais e alguns munícipes [2].
 
Descerramento da placa toponímica
 
[1] Ata da Câmara Municipal de Olhão, n.º 16, 09/04/2014.
[2] http://www.cm-olhao.pt/destaques-slider/1070-largo-25-de-abril

sexta-feira, 25 de abril de 2014

40 anos de abril

Assinalam-se hoje os 40 anos sobre a revolução dos cravos. Uma data marcante para a história nacional e comemorada em o país. Desta forma, divulgo um texto, retirado de um jornal diário nacional, relativos à presença de topónimos associados ao 25 de abril, no país. O texto é da autoria da jornalista Susete Francisco e foi publicado no jornal i, no dia 23 de abril. 

 
25 de abril. A revolução está nas ruas
 
Encontram-se em becos, largos, ruas, alamedas e avenidas. Nas maiores cidades como nas aldeias mais pequenas: as referências ao 25 de abril e àqueles que protagonizaram a revolução estão espalhadas pelas ruas de Portugal. O levantamento feito concluiu que os topónimos referentes ao golpe que derrubou a ditadura superam os 1500 por todo o país. O nome “25 de abril” já ultrapassou “clássicos” da toponímia portuguesa como a República ou o 5 de outubro.
 
A referência à data da revolução é, de longe, a mais popular de todas as evocações - 1159 topónimos “25 de abril” em todo o país. São 151 avenidas, nove alamedas, 15 bairros, 17 becos, 126 largos, 25 praças, 27 pracetas, 634 ruas, 125 travessas. Uma contabilidade em que entram ainda calçadas, caminhos e campos, estradas, jardins, urbanizações, veredas e uma viela, parques e passeios. Um rossio e quatro rotundas. E uma ponte. Não é raro que, na mesma localidade, o nome se repita em dois ou três topónimos (rua, travessa e beco, por exemplo). Veja-se o caso de Gondomar, onde há uma Avenida 25 de abril e, próximo, uma Rua 25 de abril. Ligadas por um passeio chamado... 25 de abril.
 
Placa toponímica em Lisboa
Curiosamente, a cidade de Lisboa, grande palco dos acontecimentos de 1974, é das mais comedidas. Na capital há uma Praça 25 de abril, assim nomeada em 1999, por ocasião dos 25 anos da revolução. Há uma razão para isso. Teresa Sancha Pereira, autora de um trabalho apresentado às quartas Jornadas de Toponímia da capital – “A Revolução de Abril na Toponímia de Lisboa e nos Concelhos Limítrofes” - sublinha que “enquanto em Lisboa os topónimos não são repetidos, a mesma designação é atribuída repetidas vezes nas diferentes freguesias [dos concelhos limítrofes], existindo mesmo a preocupação de, na mesma data, se atribuir a mesma designação com diferentes classificações: avenida, travessa, rua, praça, largo”. É assim que Loures conta 32 topónimos "25 de abril" e Almada 15. 
 
Salgueiro Maia é o mais nomeado
 
Sintomático é o nome que se segue: a seguir à data, é Salgueiro Maia o nome mais homenageado na toponímia portuguesa. O capitão de abril, que morreu em 1992, conta 156 referências pelas ruas do país – é de muito longe o mais referenciado dos militares de abril. Além do óbvio protagonismo do capitão que, na madrugada de 25 de abril de 1974 saiu de Santarém em direção ao Terreiro do Paço, há outro fator a considerar – em muitas localidades (como Lisboa) não é permitido consagrar na toponímia o nome de personalidades vivas. 
 
As Forças Armadas são outro topónimo relevante (também em versão Movimento das Forças Armadas, MFA ou Aliança Povo MFA), repetindo-se 132 vezes. As referências a cravos, sob diversas formas, também ultrapassam a centena – 108 no total. Já o topónimo “Capitães de Abril” surge referenciado 62 vezes.
 
Otelo Saraiva de Carvalho dá o nome a quatro ruas (em Vale de Vargo, Porto Alto, Grândola e Lagoinha). Vasco Lourenço a uma rua em Castelo Branco e a uma travessa em Óbidos.
 
No total, foram contabilizados 1623 referências à revolução. E o resultado não é exaustivo – por exemplo, o topónimo Liberdade, bastante numeroso em Portugal, é em muitos casos evocativo do 25 de abril. O levantamento foi feito a partir de uma base de dados dos CTT (referindo-se, assim, a artérias com código postal, eliminando as duplicações que resultam de um topónimo poder ter mais de um código).
 
Fonte:
 

quarta-feira, 26 de março de 2014

Rua Manuel Dourado Eusébio – Salir

A Junta de Freguesia de Salir deliberou, em reunião ocorrida a 24 de março de 1993, aprovar a atribuição do nome de Manuel Dourado Eusébio a uma artéria, à época recentemente construída, daquela vila.
 
Placa toponímica em Salir
A placa toponímica foi descerrada a 25 de abril de 1993, conforme noticiado pelo jornal Gazeta de Salir: “(…) teve lugar a 25 de Abril último, uma significativa homenagem póstuma ao Sr. Manuel Dourado Eusébio, que foi o 1.º Presidente da Junta de Freguesia de Salir após a revolução de Abril de 1974, a qual incluiu o descerramento de uma lápide toponímica que dá o nome a uma artéria de Salir àquele antigo autarca” [1].
 
Manuel Dourado Martins de Sousa Eusébio
Natural de Salir, nasceu a 28 de dezembro de 1931, tendo falecido na sua residência (Rua D. Amélia Cândido Ramalho) a 1 de dezembro de 1979.
 
Profissionalmente esteve ligado à agricultura e à indústria (produção de azeite), administrando com afinco os bens da família.
 
A 22 de setembro de 1974 tomou posse do cargo de presidente da Comissão Administrativa da Junta de Freguesia de Salir, nomeada na sequência da revolução de 25 de abril. Dois anos depois (abril de 1976) concorreu às primeiras eleições autárquicas da democracia, como cabeça de lista pelo Partido Socialista, tendo sido eleito presidente da Junta de Freguesia. Ocupou o cargo até à data do seu óbito, quando pôs termos à vida, suicidando-se em circunstâncias nunca totalmente apuradas.
 
A notícia do seu falecimento disseminou um espírito de consternação por toda a freguesia: “Apesar da hora adiantada da noite, a notícia correu rapidamente por todas as redondezas tendo acorrido muitas pessoas a residência do malogrado, lamentando o funesto acontecimento. (…) O seu funeral para jazigo, realizou-se no dia 3 considerando-se um dos mais concorridos que até hoje aqui se fez” [2].
 
 
Nota: Agradecimento ao Dr. Júlio Sousa, pelas relevantes informações concedidas para a elaboração deste texto.

[1] Gazeta de Salir, n.º 19, 09/05/1993.
[2] A Voz de Loulé, n.º 757, 20/12/1979.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Duas ruas de Olhão

Há precisamente 58 anos o jornal “O Século” publicava um artigo sobre a atribuição de denominação a duas artérias da vila de Olhão. Referia o seguinte:

“A duas ruas de Olhão foram dados os nomes do sr. prof. Dr. Paulo Cunha e de Heróis da Índia Portuguesa.

Olhão, 16 – Na sessão realizada na Câmara Municipal desta vila, em que se focaram importantes assuntos camarários de interesse público, o sr. Lourenço Mendonça, presidente do Município, e outros oradores, focaram a viagem ao Brasil do sr. prof. dr. Paulo Cunha e os altos serviços prestados à Nação por este estadista, motivo por que foi deliberado dar o seu nome a uma das ruas da vila.

Em homenagem aos heróis de Dadrá também outra das ruas desta vila ficará a chamar-se Rua dos Heróis da Índia Portuguesa.”

Fonte:
Jornal “O Século”, n.º 26028, de 17/09/1954

sábado, 8 de setembro de 2012

Plaza de la Coronación – Ayamonte (Espanha)






















A presente placa toponímica encontra-se situada numa praça da cidade espanhola de Ayamonte, na província de Huelva, anexa à Plaza de la Ribera, zona central da urbe.
  
A placa destaca-se na praça pela sua localização central, colocada numa peanha de ferro fundido.

Executada em azulejos policromos, possui duas faces, uma representando a imagem da Virgem das Angústias e a outra com a seguinte inscrição: “N.TRA Señora de las Angustias Patrona y Alcaldesa Perpetua de la Ciudad de Ayamonte coronada canonicamente el dia 25 de julio de 1992”.

De facto, o topónimo assinala o local onde a imagem da Virgem das Angústias foi coroada canonicamente, no dia 25 de julho de 1992, numa solene Missa Pontifical de Coroação, presidida pelo Bispo da Diocese de Huelva D. Rafael González Moralejo.

A coroação canónica foi concedida pelo Papa João Paulo II, por ocasião dos Congressos Mariológico e Mariano, ocorridos na diocese de Huelva, aquando das comemorações do quinto centenário do descobrimento e evangelização da América. Estes eventos contaram com a presença de um elevado número de ayamontinos, que demonstraram a sua extraordinária devoção pela Virgem das Angústias

Segundo a lenda, a imagem da Virgem foi encontrada por pescadores, quando procediam à recolha das redes, após um intenso dia de trabalho. A veneração à Virgem das Angústias tem origem no século XVI, época em que surgiu o bairro da ribeira, onde foi erigido um templo em sua honra, que ficou envolvido por um baluarte defensivo da muralha.

Em 1755, aquando do violento sismo que abalou Portugal, e que também provocou estragos em Ayamonte, os seus habitantes rogaram à Virgem das Angústias proteção. No ano seguinte, no dia 11 de janeiro, foi proclamada patrona de Ayamonte a Virgem das Angústias e decidido fazer festa em cada ano em sua honra, no dia em que a Igreja celebra o nascimento da Mãe de Deus (8 de setembro).

Ao cumprirem-se os 250 anos sobre tal acontecimento, a 7 de janeiro de 2006, a população de Ayamonte erigiu-lhe um monumento, que foi benzido pelos Bispo de Huelva D. Ignacio Noguer Carmona, o Bispo ayamontino D. Juan del Río Martín, sendo presidente da Câmara Municipal da cidade Rafael González González.

A devoção a Nossa Senhora das Angústias ultrapassa os limites de Ayamonte, estendendo-se a terras lusas, principalmente à população raiana. Tal como no século passado, em que muitos portugueses afluíam às festas em honra da Virgem, devido à facilidade de passagem na fronteira, concedida com esse propósito, ainda hoje é frequente ouvir-se a língua de Camões no dia 8 de setembro, nas “calles” de Ayamonte, o que comprova que a fé ultrapassa fronteiras.