Este Blog destina-se à divulgação de trabalhos, notícias e outros textos relativos à toponímia das artérias de diversas localidades, nomeadamente de Loulé e da restante região do Algarve. Pretende-se assim, através da toponímia, percorrer a memória das ruas, largos, avenidas, ingressando na história e património das urbes.


terça-feira, 23 de setembro de 2014

Toponímia participativa em Messines

População propôs nomes para ruas
 
Cerca de três dezenas de pessoas participaram, no dia 13 de setembro, na reunião da Toponímia Participativa em Messines. A iniciativa foi da Junta de Freguesia local que convidou a população para apresentar e escolher designações para ruas da Vila que não têm nome.
 
A necessidade de identificar as ruas e evitar os atuais constrangimentos foi destacada pelo técnico da Câmara Municipal de Silves, Ricardo Tomé, que conduziu os trabalhos, referindo que a existência de ruas sem nome é um problema geral no concelho, havendo até, nalgumas freguesias, “uma situação um pouco caótica”, que a autarquia vem tentando resolver.
 
Quanto ao facto de se ter optado por este sistema de “toponímia participativa”, em que a população foi chamada diretamente a dar a sua opinião, Ricardo Tomé, disse crer que é a primeira vez que tal acontece, “mesmo a nível nacional”.
 
O método de trabalho escolhido consistiu em dividir a área da vila por cinco sectores, com as ruas assinaladas. A seguir, os participantes dividiram-se aleatoriamente em cinco grupos de trabalho, sendo que cada um desses grupos propunha os nomes para as ruas do sector correspondente.
 
Quanto aos nomes propostos, os mesmos podiam ser escolhidos entre as muitas dezenas de propostas, que entretanto já tinham sido entregues na Junta de Freguesia, ou podiam ser sugeridos na altura por qualquer dos participantes.
 
Seguindo este método, para as 30 ruas sem nome foram apresentadas 49 sugestões (já que alguns grupos não chegaram a consenso, sendo proposto mais do que um nome para a mesma rua). Agora, o processo segue os trâmites normais, passando pela Junta de Freguesia que as apresenta à Comissão de Toponímia. Este órgão tem o poder de elaborar a versão final a apresentar à votação em reunião de Câmara, podendo decidir alterar ou manter estas sugestões. Depois de aprovados pelo executivo municipal, os nomes das ruas podem ainda ser contestados pelos cidadãos, que têm 15 dias para apresentar reclamação.
 
No início da reunião, o presidente da Junta, João Carlos Correia, apelou aos presentes para que ponderassem sobre o significado das suas propostas, para que os nomes sugeridos fossem no sentido de “valorizar quem fez por nós no passado” e que refletissem “quem somos”, “os nossos locais, a nossa geografia”.
 
No final, verificou-se que as propostas foram muito abrangentes, envolvendo desde o nome de figuras nacionais como Salgueiro Maia, a figuras de Messines, mas com importância nacional como Costa Martins, ou nomes como a Rua das Alfarrobeiras ou a Travessa de Cima.
 
Lista das propostas (49):
Rua Beco das Fontaínhas
Rua José Correia Pires
Rua Chico Pedro
Rua António Cabrita Mealha
Rua da Estação
Rua dos Combatentes
Rua Bela Vista
Rua Silvério Martins
Rua Orlando Frade
Rua José Tachinho
Rua Dr. António Neves Anacleto
Rua Costa Martins (Capitão de Abril)
Rua Joaquim Primo António
Rua Comandante Dias Ferreira
Rua António Nascimento
Rua Grupo de Teatro Penedo Grande
Rua Maria da Piedade Bastos
Rua da Ribeira
Rua Ilda Cabrita da Silva
Rua Salgueiro Maia
Rua Zeca Afonso
Rua António Costa Mealha
Rua da Feira
Rua Luís Carreira
Rua da Nora
Rua Armando Calado
Rua José Gonçalves Piçarra Bravo
Rua Monte dos Jaimes
Rua Dr. Ataíde Oliveira
Travessa de Cima
Travessa dos Ciprestes
Rua Eng. Florentino de Oliveira
Rua Paulo Nunes Matias
Rua Teodomiro Neto
Rua Estádio Municipal
Rua das Alfarrobeiras
Rua António Neto Guerreiro
Rua do Saínhas
Rua dos Artesãos
Rua da Comunidade
Rua Jaime Graça Mira
Rua Joaquim Tomé
Rua Manuel Romão Pereira
Rua 7 de Março 1973
Rua Padre Augusto Ó de Brito
Rua Felício Fernandes
Rua do Furadouro
Rua Maria de Luz de Deus Ramos
 
Fonte:
Paula Bravo, in
 

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Escola Básica Professor Manuel Martins Alves – Loulé

A comunidade escolar e a Câmara Municipal de Loulé homenagearam no transato dia 12 de setembro, a título póstumo, o, antigo diretor do Agrupamento de Escolas Padre João Coelho Cabanita, atribuindo o seu nome à Escola EB1/JI de Vale de Rãs.
 
Fachada principal da Escola Básica Prof. Manuel Martins Alves
 
Executivo municipal, órgãos dirigentes deste Agrupamento de Escolas, professores, alunos e funcionários assistiram ao descerramento da placa onde passa agora a figurar o nome do patrono desta escola, bem como aos discursos oficiais, marcados por momentos de grande emoção.
 
Descerramento da placa de homenagem ao
patrono do estabelecimento de ensino

“Um cidadão exemplar, um colega, um amigo, um homem generoso, solidário e empenhado nas causas e valores em que acreditava. Evidenciou, ao longo da sua vida e carreira profissional, nas várias funções que desempenhou, dedicação, competência, brio profissional, tendo ganho o respeito dos amigos, colegas, alunos e funcionários. No desempenho das funções de docente era competente e exigente, rigoroso e disciplinador, sensível e tolerante. Como dirigente e líder transmitia confiança e segurança, era corajoso, inteligente e competente, responsável, sério e honesto, exigente para consigo próprio e para com os seus subordinados. Tomava decisões com determinação, assertividade e transparência. Demonstrava equidade e bom senso na tomada de decisões, no tratamento de todos os elementos da comunidade educativa”. Foi desta forma que o atual diretor do Agrupamento de Escolas Padre Cabanita, Jacinto Colaço, caracterizou o antigo colega.
 
Já o presidente da Câmara, Vítor Aleixo, referiu a “grandeza de carácter” de Manuel Alves. “Foi uma pessoa que pôs sempre o seu idealismo e generosidade ao serviço da escola e dos alunos. Por isso, perpetuar a sua memória nesta escola é um ato de toda a justiça. Esta é uma excelente escolha e penso que tudo o que o Manuel Alves representa como ser humano perdurará aqui”, sublinhou o edil.
 
Também o delegado regional de Educação, Alberto Almeida, deixou algumas palavras sobre o profissionalismo do homenageado, quer como docente, quer como dirigente. “Era, de facto, um diretor. Nunca perdeu a postura e ajudou a construir um Concelho melhor, uma escola melhor, um ensino melhor”, disse este responsável.
 
Após os discursos, o declamador e músico Afonso Dias interpretou três temas de Zeca Afonso, um dos autores e cantores mais apreciados por Manuel Alves e que trouxe até a memória do antigo diretor.
 
Refira-se que a proposta de atribuição do nome do professor Manuel Alves como patrono da Escola de Vale de Rãs havia sido aprovada pelo Conselho Pedagógico do Agrupamento de Escola Padre João Coelho Cabanita, a 27 de novembro de 2013 e pela Câmara Municipal de Loulé, a 12 de fevereiro de 2014, tendo sido posteriormente homologada pelo membro do Governo com a tutela.

Placa de homenagem ao patrono da escola
 
Manuel Martins Alves
Natural de Salir, onde nasceu a 29 de abril de 1956, foi docente com um longo percurso na área da gestão escolar. 
 
Foi professor nos seguintes estabelecimento de ensino: Escola Preparatória de Albufeira (1976/77), Escola Técnica de Tavira, Escola Preparatória de Aljustrel, Escola Preparatória de Portimão, Escola Preparatória de S. Bartolomeu de Messines, Escola Preparatória de Almada, Escola C+S de Quarteira, Secção de Salir da Escola Secundária de Loulé, Escola EB 2,3 n.º 1 de Loulé (atual Escola Padre Cabanita). 
 
Durante a sua atividade exerceu diversos cargos de âmbito escolar, quer ao nível das lideranças intermédias, quer do topo. Nestas últimas salientam-se as seguintes: vice-presidente do Conselho Diretivo da Escola Preparatória de Aljustrel (1979/80), vice-presidente da Comissão Instaladora da Secção de Salir da Escola Secundária de Loulé (de 1989 a 1991), presidente do Conselho Diretivo da Escola Preparatória de Quarteira (atual EB 2,3 D. Dinis de 1992 a 1996), presidente do Conselho Executivo da Escola EB 2,3 n.º 1 de Loulé, atual Escola Padre Cabanita, (2006/2007), presidente da Comissão Executiva Provisória do Agrupamento Vertical de Escolas Padre João Coelho Cabanita (2007/2008), presidente do Conselho Executivo (2008/2009) e diretor (2009/2012), no Agrupamento Vertical. Foi presidente da Comissão Administrativa Provisória do Agrupamento de Escolas Padre João Coelho Cabanita (2012/13), diretor do Agrupamento de Escolas Padre João Coelho Cabanita (2013).
 
Sindicalista convicto, foi delegado sindical na Escola Preparatória de Almada, no ano de 1983/84. No campo associativo foi presidente da direção da Associação Cultural de Salir no mandato de 2000/2001, tendo ainda desempenhado outros cargos nesta coletividade. Foi também vice-presidente da instituição particular de solidariedade social Grupo dos Amigos de Salir desde 1996 até à data do seu falecimento, ocorrido a 31 de outubro de 2013.
 
Fontes:

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Município de Lagos prestou homenagem a Luís Mendes Victor

O Município de Lagos prestou homenagem, no dia 6 de setembro, a Luís Mendes Victor, o geofísico que sempre esteve presente na vida desta cidade, que adotou como sua e onde passava parte do seu tempo, com o descerramento de uma placa toponímica.
 
A cerimónia foi integrada na realização do II Seminário do Projeto INsPIREd, que decorreu nos dias 4 e 5 no auditório dos paços do concelho Séc. XXI, e que reuniu dezenas de responsáveis, a nível nacional e internacional, na área da prevenção dos riscos sísmico e de tsunami, vertente em que Luís Mendes Victor era um dos maiores especialistas do país.
 
Aproveitando a ocasião, o município prestou uma homenagem ao professor, atribuindo o seu nome a um arruamento da cidade de Lagos.
 
A homenagem decorreu no salão nobre dos antigos paços do concelho e contou com a presença do executivo municipal, da família do homenageado e de amigos próximos, nomeadamente João Pereira Neto, secretário da Sociedade de Geografia de Lisboa, e o contra-almirante José Luís Branco Seabra de Melo.
 
Cristina Mendes Victor, filha do geofísico, dirigiu umas breves palavras aos presentes, agradecendo a homenagem “que apareceu enquadrada num seminário que reuniu tanta gente em torno do assunto que mais apaixonava o meu pai a nível profissional – o risco sísmico e como salvar vidas na eventualidade de ele acontecer”.
 
A cerimónia terminou com o descerramento da placa toponímica. O arruamento com o seu nome tem início na Avenida das Comunidades Portuguesas e termina na Rua dos Bombeiros Voluntários de Lagos. 
 
Cerimónia de descerramento da placa toponímica
 
Luís Mendes Victor
 
Percurso biográfico:
  • Licenciado em Ciências Geofísicas pela Universidade de Coimbra, 1955;
  • Engenheiro Geofísico pela Universidade de Estrasburgo, 1966;
  • Doutor em Ciências Físicas pela Universidade de Estrasburgo, 1970;
  • Professor Catedrático de Física na Universidade de Lisboa, 1979;
  • Diretor-Geral do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica, 1977-1987;
  • Presidente da ARVI-Europa, 1980-1986;
  • Presidente do Centro Europeu de Previsão do Tempo a Médio Prazo, 1980- 1986;
  • Membro do Instituto Nacional de Investigação Científica, 1975-1980;
  • Presidente do Comité de Coordenação Científica do Centro Universitário Europeu para os Bens Culturais de Ravello, 1986-1998;
  • Diretor do Centro de Geofísica da Universidade de Lisboa, 1975-2001;
  • Diretor do Instituto Geofísico do Infante D. Luiz, 1997-2004;
  • Presidente da Comissão Sismológica Europeia, 1998-2002;
  • Presidente do Comité Consultivo Europeu de Avaliação das Previsões de Sismos, 1994-2000;
  • Presidente da Direção do Instituto de Ciências da Terra e do Espaço, 1992-2005;
  • Presidente da Direção da Secção Portuguesa das Uniões Internacionais Astronómica e Geodésica e Geofísica;
  • Presidente do Centro Europeu de Riscos Urbanos. Agraciado com a “Natural Hazards, Soloviev Medal (European Geophysical Society)”, 1996;
  • Comendador da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, 2005.
Do trabalho desenvolvido por Luís Mendes Victor em Lagos destaca-se a organização do Seminário “Coastal and Tsunami Early Warning Systems”, 2001. Elaboração do “Estudo de Risco Sísmico no Centro Histórico de Lagos”, 2002-2005. Publicação dos resultados do estudo em livro, com duas edições em português e em inglês, 2006. Envolvimento de Lagos no Projeto Vulresada, “Gestion des Zones Côtières Face aux Risques Sismique et de Tsunami: Impact Socioéconomique”, 2012-2013. Organização durante este período de várias sessões públicas de apresentação dos estudos e de sensibilização da população. Luís Mendes Victor foi um homem presente na vida desta cidade que adotou como sua, onde construiu uma casa e onde passava parte do seu tempo, participando na vida comunitária de forma interessada, como é exemplo a sua iniciativa de criação de uma associação de moradores do centro histórico.
 
A morte do Professor Luís Mendes Victor no dia 24 de março de 2013 não interrompeu o seu trabalho em Lagos, já que ele prossegue, como seria a sua vontade, na continuidade que se tem dado aos estudos que iniciou, com o objetivo final de salvar vidas em caso de catástrofe.
 
Fontes:

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Av. José Maria Nunes – Faro

O cineasta farense José Maria Nunes será homenageado no próximo dia 7 de setembro, através do descerramento de uma placa toponímica localizada no troço viário que liga a rotunda do Fórum Algarve à rotunda da Escola Superior de Saúde. O topónimo foi aprovado em reunião da Câmara Municipal de Faro de 2 de novembro de 2011.
 
Esta iniciativa insere-se no programa de comemorações do Dia do Município farense, que inclui uma sessão solene nos Paços do Concelho de Faro, onde serão distinguidas personalidades e entidades, bem como a inauguração do Parque Ribeirinho e da Escola Básica da Lejana.
 
José Maria Nunes
Cineasta considerado o pai da escola de cinema de Barcelona, nasceu em Faro em 1930. Aos 12 anos emigrou com a família para Espanha, fixando-se posteriormente em Barcelona, cidade de residência até à sua morte, ocorrida a 23 de março de 2010.
 
Interessado pelo mundo do cinema, nos anos 50 iniciou um admirável percurso pela sétima arte na Catalunha. Realizou o seu primeiro filme, “Mañana”, em 1957. Directo, sem convenções, experimental, realizou um total de 14 filmes e colaborou em quase três dezenas. Guerras, êxodos, repressões, torturas, desejos e ânsias de união e separação foram os temas mais abordados pelo realizador. Para além da realização, escreveu ensaios, guiões e participou como ator em diversos filmes.
 
Ao longo do percurso, José María Nunes atravessou uma ditadura e, como muitos outros realizadores, viu a sua criação censurada. A sua última obra, produzida em 2009, intitulou-se “Res publica”.
 
Em 2002 foi premiado como Melhor Realizador, com o filme “Amigogima”, na primeira edição dos Prémios de Barcelona e no dia 4 de março de 2010 recebeu das mãos do Presidente da República a condecoração de Grande Oficial da Ordem de Santiago.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Arquivo Histórico Municipal António Rosa Mendes – Vila Real de Santo António

Assinalando os 238 anos da fundação de Vila Real de Santo António, a autarquia local preparou um vasto programa comemorativo, com diversas iniciativas, entre as quais a apresentação do programa de homenagens a António Rosa Mendes e a atribuição do nome do insigne professor ao Arquivo Histórico Municipal. Ambos os atos decorreram no dia 13 de maio, feriado municipal [1].
 
Na ocasião, foi distribuído um desdobrável, justificando a atribuição do nome de António Rosa Mendes àquele equipamento cultural, cujo conteúdo se passa e transcrever:
 
António Manuel Nunes Rosa Mendes
Um Grande Homem da Cultural de Portugal
 
António Manuel Nunes Rosa Mendes, vulto eminente da cultura portuguesa e algarvia, nasceu em Vila Nova de Cacela, a 21 de Maio de 1954.
 
Fez o ensino secundário no Liceu Nacional de Faro, tendo-se licenciado em História e em Direito, pela. Universidade de Lisboa, respetivamente, em 1981 e 1995. Mais tarde, graduou-se em Mestre em História Cultural e Política, em 1991, pela Universidade Nova de Lisboa, e Doutorou-se em Historia Moderna, em 2003, pela Universidade do Algarve.
 
Foi professor na Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve.
 
Respeitado e admirado por alunos e colegas e por toda a comunidade das suas relações, contribuiu para impulsionar a investigação científica em tomo da História do Algarve.
 
Além de académico e historiador, António Rosa Mendes foi um pedagogo, poeta, jurista, editor e autor de uma vasta bibliografia.
 
Foi um dos fundadores da editora algarvia “Gente Singular”. Realizou inúmeras conferências, em Portugal e no estrangeiro. Foi presidente da “Faro, Capital Nacional da Cultura”, em 2003 e 2004.
 
Foi, ainda, Diretor da Biblioteca da Universidade do Algarve, tendo sido responsável pelo Centro de Estudos de Património e História do Algarve (CEPHA).
 
As raízes algarvias marcaram toda a sua intervenção académica, cívica, social e política. Foi um regionalista comprometido, apaixonado pelas temáticas regionais, que lutou por uma Região do Algarve com mais poderes e autonomia administrativa e política.
 
Social-democrata por opção política, foi presidente da Assembleia Municipal de Vila Real de Santo António (1985-1989) e Vereador desta autarquia (1989-1993).
 
Publicamente reconhecido como homem íntegro, culto, humanista, desprendido, humilde, com carácter, princípios e coragem cívica, António Rosa Mendes faleceu em Faro, a 4 de Junho de 2013.
 
A Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, em reconhecimento pela sua Vida e Obra, decidiu atribuir o seu nome como Patrono a um dos edifícios e equipamentos mais culturalmente relevantes da cidade: o agora denominado Arquivo Histórico Municipal António Rosa Mendes”.
 

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Largo 25 de Abril – Olhão

Integrado nas comemorações dos 40 anos do 25 de abril, Olhão inaugurou, no passado dia 25, um topónimo alusivo à Revolução dos Cravos.
 
Rememorando desta forma o 25 de abril de 1974, o Município de Olhão decidiu atribuir ao largo em frente ao Tribunal, em reunião de 9 de abril de 2014 [1], o nome Largo 25 de Abril. Presentes na cerimónia estiveram as entidades municipais e alguns munícipes [2].
 
Descerramento da placa toponímica
 
[1] Ata da Câmara Municipal de Olhão, n.º 16, 09/04/2014.
[2] http://www.cm-olhao.pt/destaques-slider/1070-largo-25-de-abril

sexta-feira, 25 de abril de 2014

40 anos de abril

Assinalam-se hoje os 40 anos sobre a revolução dos cravos. Uma data marcante para a história nacional e comemorada em o país. Desta forma, divulgo um texto, retirado de um jornal diário nacional, relativos à presença de topónimos associados ao 25 de abril, no país. O texto é da autoria da jornalista Susete Francisco e foi publicado no jornal i, no dia 23 de abril. 

 
25 de abril. A revolução está nas ruas
 
Encontram-se em becos, largos, ruas, alamedas e avenidas. Nas maiores cidades como nas aldeias mais pequenas: as referências ao 25 de abril e àqueles que protagonizaram a revolução estão espalhadas pelas ruas de Portugal. O levantamento feito concluiu que os topónimos referentes ao golpe que derrubou a ditadura superam os 1500 por todo o país. O nome “25 de abril” já ultrapassou “clássicos” da toponímia portuguesa como a República ou o 5 de outubro.
 
A referência à data da revolução é, de longe, a mais popular de todas as evocações - 1159 topónimos “25 de abril” em todo o país. São 151 avenidas, nove alamedas, 15 bairros, 17 becos, 126 largos, 25 praças, 27 pracetas, 634 ruas, 125 travessas. Uma contabilidade em que entram ainda calçadas, caminhos e campos, estradas, jardins, urbanizações, veredas e uma viela, parques e passeios. Um rossio e quatro rotundas. E uma ponte. Não é raro que, na mesma localidade, o nome se repita em dois ou três topónimos (rua, travessa e beco, por exemplo). Veja-se o caso de Gondomar, onde há uma Avenida 25 de abril e, próximo, uma Rua 25 de abril. Ligadas por um passeio chamado... 25 de abril.
 
Placa toponímica em Lisboa
Curiosamente, a cidade de Lisboa, grande palco dos acontecimentos de 1974, é das mais comedidas. Na capital há uma Praça 25 de abril, assim nomeada em 1999, por ocasião dos 25 anos da revolução. Há uma razão para isso. Teresa Sancha Pereira, autora de um trabalho apresentado às quartas Jornadas de Toponímia da capital – “A Revolução de Abril na Toponímia de Lisboa e nos Concelhos Limítrofes” - sublinha que “enquanto em Lisboa os topónimos não são repetidos, a mesma designação é atribuída repetidas vezes nas diferentes freguesias [dos concelhos limítrofes], existindo mesmo a preocupação de, na mesma data, se atribuir a mesma designação com diferentes classificações: avenida, travessa, rua, praça, largo”. É assim que Loures conta 32 topónimos "25 de abril" e Almada 15. 
 
Salgueiro Maia é o mais nomeado
 
Sintomático é o nome que se segue: a seguir à data, é Salgueiro Maia o nome mais homenageado na toponímia portuguesa. O capitão de abril, que morreu em 1992, conta 156 referências pelas ruas do país – é de muito longe o mais referenciado dos militares de abril. Além do óbvio protagonismo do capitão que, na madrugada de 25 de abril de 1974 saiu de Santarém em direção ao Terreiro do Paço, há outro fator a considerar – em muitas localidades (como Lisboa) não é permitido consagrar na toponímia o nome de personalidades vivas. 
 
As Forças Armadas são outro topónimo relevante (também em versão Movimento das Forças Armadas, MFA ou Aliança Povo MFA), repetindo-se 132 vezes. As referências a cravos, sob diversas formas, também ultrapassam a centena – 108 no total. Já o topónimo “Capitães de Abril” surge referenciado 62 vezes.
 
Otelo Saraiva de Carvalho dá o nome a quatro ruas (em Vale de Vargo, Porto Alto, Grândola e Lagoinha). Vasco Lourenço a uma rua em Castelo Branco e a uma travessa em Óbidos.
 
No total, foram contabilizados 1623 referências à revolução. E o resultado não é exaustivo – por exemplo, o topónimo Liberdade, bastante numeroso em Portugal, é em muitos casos evocativo do 25 de abril. O levantamento foi feito a partir de uma base de dados dos CTT (referindo-se, assim, a artérias com código postal, eliminando as duplicações que resultam de um topónimo poder ter mais de um código).
 
Fonte: